A cirurgia de amputação de membros é necessária em alguns doentes com Doença Arterial Periférica (DAP) muito avançada, com dor não controlada ou úlceras e gangrena infetadas, quando se verifica não ser possível efetuar cirurgia de revascularização (por obstrução muito difusa e atingimento muito distal), ou quando o doente tem limitação funcional significativa e/ ou doença terminal. 

A evolução após a cirurgia é habitualmente favorável no entanto podem surgir complicações que devem leva-lo a alertar o seu médico: 

  • Deiscência de suturas; 
  • Edemas;  
  • Dor fantasma;  
  • Ulceração do coto; 
  •  Inflamações; 
  • Infeções; 
  • Retração da cicatriz;  
  • Neuromas e espículas ósseas; 
  •  Contraturas musculares e hipotrofias. 

Cuidados após cirurgia de amputação de membro: 

  • Manter cuidados de penso; 
  • Observar coto diariamente com um espelho; 
  • Depois de cicatrizado realizar diariamente a higiene do coto com sabão neutro; 
  • Massajar a cicatriz do coto com creme gordo; 
  • Ensinar técnica de colocação de ligadura elástica quando existe indicação de prótese. 

A amputação altera o equilíbrio da função muscular, podendo desenvolver-se contraturas musculares (encurtamento ou distorção de músculo ou tecido conjuntivo). Para as evitar, devem ser adotadas determinadas estratégias: 

  • Evitar a flexão do coto:  
  • Na cama não usar almofada nem colocar perna pendente 
  • Na cadeira de rodas não colocar o coto pendente ou apoiado; 
  • Evitar manter o coto femoral (coxa) apoiado numa almofada e não colocar almofada entre as coxas.
  • A posição de sentado por muito tempo, também pode causar contraturas, as quais podem ser prevenidas se a pessoa se deitar, regularmente de barriga para baixo. 

Encaminhamento para Reabilitação 

  • A perda de um membro inferior altera a função da locomoção.  
  • A reabilitação tem como função o restauro dessa função. Inicialmente a utilização da cadeira de rodas pode facilitar os movimentos e despender menos energia. 
  • Muitas pessoas que perderam o membro inferior acreditam que a melhor solução para o seu problema é o uso de prótese. No entanto nem todas as podem utilizar. É o médico que deverá dar indicação ou não do seu uso. Muitas pessoas com doença vasculares não podem usar prótese. 
  • Algumas situações, que não têm indicação para a colocação de prótese: 
    • Amputado transfemoral com flexão da anca superior a 45º; 
    • Amputado transtibial com flexão do joelho superior a 30º; 
    • Biamputado transfemoral com cotos curtos e idade superior a 45 anos; 
    • Antecedentes pessoais como: coronariopatias graves, doença pulmonar crónica que facilmente desencadeie episódios de insuficiência respiratória, polineuropatia marcada, poliartrite,…; 
    • Prognósticos de vida reduzidos a médio/ curto prazo; 
    • Doenças ou tratamentos que provoquem grandes variações ponderais e/ou do volume do coto; 
    • Controlo motor (desequilíbrios, ataxias, alterações da sensibilidade profunda…); 
    • Capacidades cognitivas (conseguir aprender a utilizar a prótese de modo funcional). 

Nos primeiros 6 a 18 meses existe grande variabilidade no volume do coto, a frequência das consultas pode ser alterada de acordo com as necessidades do amputado.  

Ajudas Técnicas e Acessórios 

As pessoas que perderam o membro inferior por doença vascular devem possuir uma cadeira de rodas. 

Para usar a cadeira de rodas por vezes é necessário algumas modificações no domicílio para remover obstáculos. 

  • Transferência para cadeira de rodas: 
    • Informar utente do procedimento; 
    • Posicionar a cadeira de rodas,retirar braço da cadeira mais junto a cama, remover pedais ou afastá-los e travar cadeira; 
    • Ajudar o utente a sentar-se na cama; 
    • Se o utente conseguir efetuar carga na perna saudável e tiver força de braços, solicitar colaboração do utente; 
    • Pode usar-se um dispositivo para auxiliar na transferência (tábua de transferência) quando a pessoa amputada não tem força suficiente para se apoiar na perna saudável ou no caso dos utentes biamputados que tenham equilíbrio do tronco e pouca força nos braços; 
    • Recolocar pedal e o braço da cadeira; 
    • Posicional pé no pedall; 
    • Avaliar o posicionamento e, se necessário, colocar superfície de trabalho para posicionamento dos membros superiores. 

Informação elaborada pelo Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Braga

FI.VAS.003