O coração é o órgão muscular responsável por bombear o sangue através dos vasos sanguíneos e do sistema circulatório.
As paredes do coração são constituídas por 3 camadas distintas: o endocárdio, o miocárdio e o epicárdio. Estas, por sua vez, encontram-se envolvidas por um saco, o pericárdio.
O saco pericárdico possui no seu interior líquido pericárdico, que atua como lubrificante entre os folhetos do pericárdio, evitando o atrito entre eles.
A acumulação de líquido pericárdico – Derrame Pericárdico – impede que o coração se encha de sangue adequadamente o que por sua vez impede o bombeamento de sangue para o resto do corpo.
Sinais e Sintomas de Alerta
Variam conforme a velocidade e quantidade de líquido acumulado e prende-se com a diminuição da disponibilidade de oxigénio no corpo:
- Dificuldade em Respirar;
- Dificuldade em manter a posição deitada;
- Dor torácica com agravamento na inspiração;
- Agravamento com o esforço;
- Tosse seca
- Tontura ou desmaio;
- Aumento da frequência cardíaca.
Diagnóstico
É realizado pelo Médico Cardiologista, através da colheita da história clínica e da realização de exames complementares de diagnóstico como o Raio X do Tórax e o Ecocardiograma.
Tratamento
As orientações clínicas e terapêuticas de abordagem ao Derrame Pericárdico variam conforme o seu volume, sintomatologia e grau de comprometimento hemodinâmico, existindo casos em que o tratamento passa por vigilância clínica e controlo sintomático, não exigindo procedimentos invasivos.
A Pericardiocentese surge como tratamento de primeira linha nos derrames triados de médio a grande volume, sintomáticos, sem reação a terapêutica instituída que causam comprometimento hemodinâmico e na suspeita de etiologia bacteriana e/ou neoplasia.
Cuidados antes do Procedimento:
- Sem necessidade obrigatória de jejum, porém em caso de procedimento programado deve evitar-se alimentação nas 6h antes, preferindo alimentos ligeiros e líquidos (ex.: sopa, chá);
- Posicionamento em decúbito dorsal, com cabeceira entre os 30-45 graus.
Procedimento:
Realizado na cama do utente, o exame é normalmente realizado com apoio de Ecocardiograma ou Eletrocardiograma;
- O utente permanece acordado durante o procedimento e é administrada uma anestesia local;
- A abordagem pode ser feita a partir de várias localizações anatómicas, sendo a região do apêndice xifoide e da infra mamária esquerda as mais utilizadas;
- Consiste na introdução de uma agulha de grande calibre até ao pericárdio, de forma a drenar o líquido pericárdico acumulado;
- Caso exista indicação para drenagem livre, é acoplado um dreno, ficando este colocado até o término da drenagem. Caso a drenagem seja completa no momento da picada, é realizado um penso compressivo local.
Possíveis Complicações
- Derrame Pleural;
- Pneumotórax;
- Arritmias Cardíacas;
- Laceração Coronária;
- Embolia Gasosa;
- Infeção;
- Paragem Cardiorrespiratória.
Cuidados após Procedimento:
- Repouso no leito cerca de 6 h pós drenagem;
- Início de dieta líquida 2 h após drenagem e evolução conforme tolerância do utente;
- Vigilância de sinais vitais e dor;
- Vigilância da evolução da sintomatologia do utente (Tosse, Dispneia, Maior tolerância a cabeceira da cama < 45º);
- Penso compressivo até as 24h apos exame e vigilância do mesmo;
- Se dreno, cuidado com o manuseamento do mesmo, evitando repuxar e/ou mobilizar o dreno de forma brusca, sob risco de deslocamento e desconexão.
- É normal surgir dor torácica apos a drenagem do derrame, com exacerbação no período inspiratório (dor pleurítica).
É importante referir à equipa de cuidados – Médico ou Enfermeiro – qualquer alteração do estado clínico (ex.: dor torácica, aumento da falta de ar…)
Informação elaborada pelo Serviço de Cardiologia do Hospital de Braga
FI.CARD.024