O ato de cuidar implica tomar conta, é uma entrega e uma total dedicação, que implica muitas vezes, o adiar de projetos, a mudança de rumos, tomadas de decisões que se tomam, por vezes, num processo solitário de quem cuida por amor.
As mudanças ocorridas nas vidas dos cuidadores afetam os seus sentimentos, o seu dia a dia, as suas atividades. O cuidador tende a distanciar-se da vida sociofamiliar à medida que a doença progride, surge a sobrecarga emocional, a revolta, sentimentos contraditórios e ambivalentes que geram sofrimento e com grande impacto no bem-estar e qualidade de vida do cuidador. Ao longo do processo de cuidar, a vida deste cuidador vai-se transformando.
E depois do cuidar, quando tudo termina?
Com o fim da prestação de cuidados, o cuidador vê-se confrontado com a morte do outro, com a dor, a perda, a solidão. O tempo que era tomado pelo ato de cuidar, passa a ser consumido pelo silêncio, falta de direção e medo de retomar e reconstruir.
Após a perda surge um novo desafio para o cuidador: é a hora de reencontrar novos rumos e sentidos, retirando da gratidão e do sentido do dever cumprido a motivação para continuar. É hora de permitir viver a sua dor, dar tempo a si próprio e aceitar os seus limites físicos, emocionais, afetivos, espirituais, financeiros e de bem-estar.
Quem cuida, por vezes, tem dificuldades em aceitar os limites, as suas necessidades, pois com o ato de cuidar leva a uma inversão em que o outro passa a ser o primeiro plano e o “eu” se vai esvanecendo. Este recomeço, não tem de ser solitário. Surge a hora de aceitar apoio, seja formal ou informal.
De facto, o suporte social, é um dos fatores essenciais para o restabelecer da nossa saúde mental e qualidade de vida, surge assim, o momento de retomar os contatos sociais, atividades e projetos abandonados, não deixe de procurar o apoio do seu familiar, amigo, vizinho e/ou mesmo pedir apoios (médico, psicológico, social).
Partilhar a sua dor e aceitar apoio, pode ser o primeiro passo para esta nova fase da vida do cuidador.

Cristiana Lopes
Psicóloga da ULS Braga