HUB da Saúde
Dador de Sangue, Prevenção e Estilo de Vida, Sangue

Dia Nacional do Dador Sangue 

A 27 de março comemora-se o Dia Nacional do Dador de Sangue, um dia para celebrar e agradecer a todos os que praticam o ato benévolo, solidário e altruísta da dádiva, que dão um pouco de si para salvar o outro. É também uma oportunidade de relembrar que a Dádiva e a Transfusão acontecem todos os dias do ano. 

Diariamente centenas de doentes necessitam da transfusão para sobreviver, como as vítimas de acidentes, doentes oncológicos que carecem de suporte ou grávidas e recém-nascidos que podem precisar deste recurso de forma urgente. A quantidade de sangue suficiente para dar resposta a todos estes doentes é difícil de prever e, por isso, é essencial que as reservas de sangue estejam em níveis adequados de forma constante. E esse é um esforço que tem que ser dinamizado! Além disso, o sangue é um recurso escasso e, apesar de existirem estratégias para minimizar a necessidade transfusional, a ciência ainda não desenvolveu um substituto do sangue. 

Frequentemente somos bombardeados com apelos à dádiva de sangue nas mais diversas plataformas (televisão, rádio ou redes sociais), o que acontece quando as reservas de sangue estão em níveis críticos. Felizmente tem havido uma resposta pronta e com grande afluência de dadores aos centros de colheita, a quem estamos profundamente agradecidos. Mas a realidade é que estes apelos têm-se tornado cada vez mais frequentes. 

Em Portugal as instituições hospitalares vivem num constante equilíbrio precário entre a necessidade de sangue e a sua disponibilidade. Atentando aos dados anuais, a quantidade de sangue disponível é sobreponível à sua necessidade, contudo no dia-a-dia nem sempre é assim: o número de dádivas e de doentes que necessitam de transfusão não é constante e existem variações sazonais ou até mensais. Não são raras as vezes em que estas variáveis se desalinham e há mais necessidade do que o sangue disponível. Como resposta surgem os apelos que, no fundo, funcionam como “penso rápido” mas que não resolvem efetivamente o problema da falta de sangue. 

O número de dadores e de dádivas é bastante inferior ao de há dez anos atrás, apesar da promoção da dádiva ser crescente nos últimos três anos. Além disso, verifica-se o envelhecimento da população de dadores, com cerca de 42% das dádivas a serem realizadas por dadores com mais de 45 anos e apenas 15% por dadores com menos de 25 anos. Ou seja, temos menos dadores jovens, essenciais para manter as reservas, pois em algum momento os dadores mais velhos não poderão continuar a doar. O facto da população de dadores não estar a rejuvenescer irá acarretar dificuldades na sustentabilidade das reservas de sangue nacionais a médio-longo prazo. É importante atingir um equilíbrio confortável, capaz de dar resposta às variações do número de doentes com necessidade de transfusão, e isto só é possível com a fidelização regular ao ato da Dádiva, criando uma reserva estável e constante. 

Portanto, não hesite e venha ajudar-nos! Todos nós, os nossos amigos e familiares, podemos precisar. 

Gostaríamos de deixar uma última palavra de gratidão aos nossos dadores de sangue. Vivemos num mundo e numa sociedade cada vez mais globalizados, mas em que, paradoxalmente, o sentimento de isolamento é crescente. Existirem pessoas que dão sangue, apenas com o objetivo de ajudar o outro, sem qualquer contrapartida e, muitas vezes, com sacrifício pessoal próprio, é deveras inspirador e permite-nos acreditar que, afinal, não estamos sozinhos. Bem hajam! 

Sangue é vida. E nós podemos dá-la! 

Miguel Carneiro

Médico do Serviço de Imunohemoterapia da ULS Braga   

Exit mobile version