As demências englobam uma grande classe de distúrbios cerebrais e muitas delas são irreversíveis. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, representando cerca de 50 a 70% de todos os casos, sendo classificada como um transtorno mental e comportamental.
A doença é diagnosticada essencialmente quando este declínio das funções cognitivas acontece com intensidade suficiente para prejudicar as atividades pessoais e a vida diária dos indivíduos. A doença de Alzheimer tem um início insidioso, com uma deterioração lenta.
Segundo o relatório de 2015, da Alzheimer’s Disease International estima-se que a prevalência da demência em pessoas com 60 e mais anos varia entre 4,6% na Europa Central e 8,7% no Norte de África e no Médio Oriente, noutras regiões os dados variam entre 5,6 e 7,6%.
A idade é o principal fator de risco para a doença de Alzheimer. Verifica-se que a incidência e a prevalência da doença de Alzheimer duplicam a cada 5 anos após os 70 anos, sendo que 80% dos doentes com doença de Alzheimer têm mais de 75 anos.
Quando a doença de Alzheimer tem início antes dos 65 anos designa-se de doença de Alzheimer de início precoce sendo que corresponde apenas a 5-6% de todos os casos de doença de Alzheimer. Se a mesma atinge pacientes mais jovens, é denominada de doença pré-senil (SQUIRE & ERIC KANDEL, 2003).
Apesar da idade ser o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, considera-se que existem outros fatores implicados.
Outros fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento da doença de Alzheimer são: fatores de risco vasculares, presença de um ou mais alelos E4 do gene da apolipoproteina (APOE4), baixa escolaridade, história familiar para doença de Alzheimer, traumatismos crânio-encefálicos moderados ou severos e distúrbios do sono (insónia e síndrome de apneia obstrutiva do sono).
No início da doença, observam-se pequenos esquecimentos, perdas de memória, normalmente interpretadas pelos familiares como parte do processo natural de envelhecimento, apesar de se irem agravando gradualmente.
As falhas de memória resultantes do processo neurodegenerativo da doença de Alzheimer podem ainda resultar na incapacidade em iniciar uma sequência de ações que são exigidas pelo ambiente e que estão fortemente relacionadas, com atividades da vida quotidiana, e autonomia própria do sujeito. (ABREU et al, 2005). Dessa forma, segundo ABREU et al, 2005, a memória possui relação direta com atividades que afetam a autonomia do indivíduo, uma vez que, possui função central nos processos cognitivos.
A progressão da doença pode ser categorizada em 3 fases, consoante a sua evolução: fase ligeira, moderada e grave, refletindo assim o nível de declínio cognitivo e, consequentemente, a dependência do utente.
Na fase inicial (fase ligeira), a perda de memória piora conforme a progressão da doença e são evidentes mudanças noutras capacidades cognitivas.
Durante a fase moderada da doença de Alzheimer ocorrem frequentemente alterações nas áreas do cérebro que controlam a linguagem, o raciocínio, o processamento sensorial e o pensamento consciente.
Na fase mais grave da doença os indivíduos não conseguem comunicar e são completamente dependentes de terceiros para a realização dos seus cuidados e das suas atividades de vida diárias.
Na fase terminal o doente pode chegar a um estado vegetativo, sem verbalização, incontinente e acamado.
O diagnóstico da doença de Alzheimer à semelhança de outras demências neurodegenerativas pressupõe a utilização de critérios de diagnóstico e a realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT).
O tratamento implica uma abordagem multidisciplinar (Neurologia, Psiquiatria, Fisiatria, Nutrição, Cuidados Primários, Cuidados Paliativos, Psicologia).
Apesar de não existir cura para a doença de Alzheimer até à presente data, existe medicação que parece permitir alguma estabilização do funcionamento cognitivo, nas fases ligeira e moderada.
Como medidas de segurança e apoio deve-se criar um ambiente seguro, geralmente, o ambiente deve ser iluminado, alegre, seguro e estável, projetado de tal forma que ajude com a orientação. Alguns estímulos, como rádio ou televisão, são úteis, mas estímulos excessivos devem ser evitados.
A estrutura e a rotina ajudam as pessoas com doença de Alzheimer a ficarem orientadas e obter uma sensação de segurança e estabilidade. Qualquer alteração no ambiente, rotinas ou cuidadores deve ser explicada de forma clara e simples.
Atividades programadas regularmente podem ajudar as pessoas a sentirem-se independentes e necessárias, concentrando a sua atenção em tarefas prazerosas ou úteis. Tais atividades devem incluir atividades físicas e mentais, estas atividades devem ser divididas em pequenas partes ou simplificadas conforme ocorre o agravamento da demência.
O papel do cuidador é fundamental no apoio ao doente. À semelhança das outras demências, a doença de Alzheimer associa-se a uma significativa incapacidade física, social e psiquiátrica dos doentes e a um desgaste e sobrecarga dos cuidadores.
O cuidador, quando é familiar, experimenta vários sentimentos, entre os quais se incluem o sofrimento e a revolta decorrentes da doença, bem como, a confrontação com a potencial inversão de papéis.
O cuidador deverá manter-se emocional e fisicamente saudável e cuidar de si próprio.
Em conclusão
A doença de Alzheimer é um dos principais focos de investigação nos dias de hoje e a cada dia surgem novos ensaios, novos estudos e indicações sobre novas estratégias terapêuticas potenciais, com o objetivo comum de se descobrir o que origina a doença, como esta se desenvolve, e quais as abordagens mais promissoras para prevenir e tratar uma das doenças neurodegenerativas do século XXI, com maior impacto económico, social e humano.

Fátima Fraga
Enfermeira da ULS Braga
