Com este artigo poderá ficar a saber mais sobre uma doença benigna mas altamente incapacitante: a hiperidrose palmar.
A hiperidrose ou hipersudorese é uma condição na qual a produção de suor excede a quantidade que seria necessária para a manutenção da normal temperatura do corpo, e que afeta mais frequentemente a palma das mãos, as axilas e a planta dos pés.
Pode surgir de forma “primária” (sem qualquer causa subjacente associada) ou pode ser “secundária” devido a uma variedade de doenças neurológicas (do sistema nervoso), endócrinas (das glândulas), ou sistémicas (que afetam vários aparelhos ou sistemas do corpo).
Na maioria dos casos a hiperhidrose palmar é causada por uma hiperestimulação de gânglios do nervo simpático, situado na parte alta e posterior do tórax. Mais raramente, a hiperhidrose palmar ou axilar surge secundariamente a um problema subjacente tal como certas doenças da tiroide, do sistema nervoso central, etc (hiperhidrose secundária).
A hipersudorese incapacitante das mãos (e axilas), muitas vezes já resistente a múltiplos tratamentos locais (e outros) é a manifestação clínica que leva o doente a procurar o cirurgião vascular. As mãos apresentam-se frequentemente molhadas (podendo mesmo pingar das extremidades dos dedos), frias, vermelhas, e por vezes descamativas devido à frequência com que o(a) doente as seca. Pode ser agravado por ansiedade, calor e pelas refeições.
A hiperhidrose palmar é uma situação totalmente benigna e nenhum dano ou sequela pode surgir em consequência da transpiração excessiva das mãos ou axilas.
Cabe ao médico assistente ou ao dermatologista a tentativa de controlo do problema com anti-transpirantes tópicos ou fármacos por via oral.
Só deve consultar o cirurgião vascular quando:
- For excluída a existência de qualquer doença subjacente que seja a causa da hipersudorese e que necessite de tratamento específico.
- A hiperhidrose palmar foi resistente àquelas formas de tratamento conservador acima descritas.
- For suficientemente perturbadora sob o ponto de vista emocional, social ou profissional.
O tratamento da hiperhidrose palmar/axilar “primária” é cirúrgico, e consiste na remoção de gânglios da cadeia nervosa simpática torácica (simpaticectomia torácica).
A cirurgia que até há alguns anos atrás era efetuada por via aberta, com risco significativo de complicações, pode atualmente ser realizada de forma minimamente invasiva por via toracoscópica axilar (através da introdução, por dois pequenos orifícios na axila, de uma pequena câmara de vídeo e de instrumentos cirúrgicos), com todas as vantagens de simplicidade e estética.
Esta cirurgia é realizada sob anestesia geral com técnica de intubação seletiva, de forma a excluir a ventilação do pulmão do lado a operar, para se poder ter acesso à cadeia nervosa simpática. Isto implica a absoluta necessidade de uma boa função pulmonar e de ausência de doenças prévias da pleura ou dos pulmões (podendo excluir alguns doentes fumadores, por exemplo). O tempo de cada internamento não ultrapassa, em geral, um dia.
Para além das complicações inerentes a qualquer intervenção cirúrgica ou anestésica, as complicações ligadas a este procedimento são muito raras, sendo, no entanto, a mais frequente a “hipersudorese compensatória” (aumento da transpiração de outra parte do corpo, normalmente das costas, do peito, ou da face) mas apenas muito raramente assume importância para o doente, quando comparada com a situação inicial.

João Oliveira
Cirurgião Vascular da ULS Braga