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Gravidez e Criança

Dia Nacional da Paralisia Cerebral: por uma Sociedade inclusiva e adaptada

O cérebro é um órgão extremamente complexo que desempenha um papel preponderante em todas as funções do corpo.

O desenvolvimento do cérebro humano começa na etapa embrionária e prolonga-se por vários anos.

No entanto, o ritmo de crescimento cerebral é maior in útero e nos primeiros 3 anos de vida do que em qualquer outra altura da vida, constituindo um período de maior vulnerabilidade.

Quando o cérebro é afetado por uma agressão neste período, condicionando uma lesão cerebral que se manifesta por disfunção motora, é utilizado o termo paralisia cerebral.

Paralisia Cerebral (PC) designa, portanto, um grupo heterogéneo de situações que têm em comum a presença de uma alteração permanente da postura e/ou movimento, resultante de uma lesão cerebral não progressiva, ocorrida num período muito precoce do desenvolvimento cerebral.

A lesão pode ter várias causas (p. ex. hemorragias, deficiência na circulação cerebral ou falta de oxigénio no cérebro, traumatismo, infeções, nascimento prematuro, etc.) e pode traduzir-se por um amplo espetro de incapacidades, dependendo das áreas do cérebro afetadas e da sua extensão.

É frequente que a PC se associe a défices sensoriais, problemas de cognição, comunicação, perceção, atenção ou epilepsia.

Quanto à incapacidade motora, esta pode ser tão grave que condiciona total dependência, ou ser tão ligeira que é quase impercetível.

Entre estes dois extremos existe todo um leque de manifestações e dificuldades que torna o grupo de indivíduos com PC tão heterogéneo. No entanto, a gravidade da dependência motora não prediz o potencial cognitivo do indivíduo com PC e um número significativo destas crianças terá uma aprendizagem escolar adequada desde que lhe sejam fornecidas as ajudas necessárias.

Assim, na abordagem do indivíduo com paralisia cerebral importa esclarecer a dicotomia entre as dificuldades que este apresenta e a sua inteligência, potencial de aprendizagem e contributo social que pode ter.

A compreensão dos desafios enfrentados pelos pacientes com dificuldades motoras, e o fornecimento de ferramentas e oportunidades inclusivas permite que muitos pacientes possam desempenhar uma vida ativa e independente à semelhança de quem não tem problemas neurológicos.

Por outro lado, permite também oferecer uma vida condigna a quem sofre de formas mais graves e de maior dependência.

Para isso, são necessárias respostas ao nível do diagnóstico e intervenção, das infraestruturas da comunidade, ensino e meio laboral.

Logo à partida, a mobilização de recursos para diagnóstico e intervenção precoces permitem potenciar a plasticidade cerebral e alterar o prognóstico. Apesar da porção de células cerebrais que foram destruídas, as restantes podem ser estimuladas a funcionar o mais adequadamente possível, de modo a compensar a deficiência e a desenvolver ao máximo as potencialidades do indivíduo.

A adaptação dos espaços urbanos, a educação inclusiva, os programas de formação, o apoio ao emprego e o fornecimento de recursos adaptados potenciam por sua vez o esforço do indivíduo, concretizando a independência à sua medida.

Com propósito de dar visibilidade a estes desafios diários assinala-se em Portugal, a cada dia 20 de outubro, o Dia Nacional da Paralisia Cerebral. Difundindo informação e melhorando a compreensão sobre o tema visa-se promover uma sociedade inclusiva e adaptada que beneficie todos.

Clara Alves Pereira

Pediatra da ULS Braga

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