A síndrome de burnout ou de esgotamento do cuidador caracteriza-se pela exaustão emocional, redução da realização pessoal e despersonalização em consequência da sobrecarga de responsabilidade, do excesso de trabalho e do stress associados ao cuidado de uma pessoa em situação de doença ou dependência.
A síndrome pode estar associada a doenças psiquiátricas como perturbações de ansiedade, depressão ou problemas de sono. Em Portugal, os problemas de burnout dos cuidadores têm-se agravado devido ao envelhecimento da população, à falta de redes adequadas de suporte e também por termos hoje uma vida menos comunitária do que no passado.
Prevenir o burnout do cuidador é fundamental para a pessoa que cuida mas também para aqueles de quem cuidamos – só conseguimos cuidar adequadamente dos outros se estivermos bem. É muito importante equilibrar a vida própria com o cuidar do outro.
Para isso é preciso solicitar a ajuda de outros familiares, amigos ou estruturas da comunidade e reservar tempo para cuidar de si próprio, incluindo tratar da saúde, praticar exercício físico e participar em atividades de lazer. Ter objetivos próprios ajuda a recuperar a energia e a motivação necessárias para cuidar de quem precisa.
Os cuidadores informais precisam de estar atentos aos sinais do seu corpo e procurar ajuda profissional sempre que se sentirem tristes, ansiosos ou experienciarem outros sintomas que indiquem a presença de doença.
Sinais a que devem estar atentos
- cansaço, dores de cabeça, alterações gastro-intestinais, palpitações
- ansiedade, apatia, tristeza excessiva, irritabilidade fácil, insónia
- isolamento, solidão, falta de tempo livre, ausência de prazer nas atividades de lazer
- dificuldades laborais (absentismo ou perda de trabalho)

Pedro Morgado
Psiquiatra da ULS Braga