A psoríase é uma doença inflamatória crónica muito comum, que afeta sobretudo a pele. Estima-se que cerca de 2% a 3% da população mundial sofra de psoríase, o que equivale a mais de 125 milhões de pessoas. Estudos recentes em Portugal sugerem uma frequência ainda maior, a rondar os 4,4% da população portuguesa.
A psoríase pode surgir em qualquer idade e não é contagiosa. Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões vermelhas e espessas, com uma escama prateada e que surgem classicamente nos cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo. No entanto, as lesões podem surgir em qualquer local do corpo e com uma gravidade e extensão muito variáveis. A doença muitas vezes apresenta fases de melhoria e agravamento, e é possível que os sintomas desapareçam por algum tempo e regressem noutras ocasiões. Estes surtos podem ser desencadeados pelo stress, problemas pessoais ou laborais, mas também por alguns medicamentos e até por outras doenças, como infeções das vias respiratórias.
Embora a origem da doença não esteja totalmente esclarecida, sabe-se atualmente que a psoríase tem provavelmente uma origem autoimune, em que o próprio organismo provoca uma resposta inflamatória nos locais afetados. Embora não seja uma doença hereditária, a existência de familiares com o diagnóstico de psoríase aumenta a probabilidade de um indivíduo desenvolver a doença.
Nas últimas décadas, a psoríase tem vindo a ser, cada vez mais, considerada uma doença sistémica, o que significa que pode afetar muitos outros órgãos para além da pele. O principal exemplo é o da artrite psoriática, que corresponde ao atingimento das articulações pela doença e está presente em cerca de 1/3 dos doentes com psoríase, podendo ter um impacto muito marcado na mobilidade e atividade dos doentes afetados. A psoríase está ainda associada à obesidade, doenças cardiovasculares, outras doenças autoimunes e doenças psiquiátricas.
Existem muitas doenças da pele com uma apresentação semelhante à da psoríase, pelo que o diagnóstico deve ser feito, sempre que possível, por um médico Dermatologista. Em muitos casos, uma observação por um profissional experiente é suficiente para o diagnóstico. No entanto, casos mais duvidosos podem implicar a realização de uma biópsia de pele.
A psoríase tem um impacto muito grande na qualidade de vida dos doentes, podendo provocar problemas de autoestima, interferir com a vida social e laboral e até mesmo originar quadros de depressão. No entanto, o tratamento da psoríase tem sofrido muito avanços nos últimos anos, com o aparecimento de novos medicamentos muito eficazes. Por esse motivo, o objetivo de tratamento nos dias de hoje é atingir uma pele totalmente ou quase totalmente livre de doença, o que é possível em muitos casos.
Carlos M. Nogueira
Médico do Serviço de Dermatologia da ULS de Braga
