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Fala e Audição, Prevenção e Estilo de Vida

“Se perdesse todas as minhas capacidades, todas menos uma, escolheria ficar com a capacidade para comunicar porque com ela depressa recuperaria tudo o resto” Daniel Webster

No sentido mais prático da palavra, comunicar significa transmitir algo. Exige a troca de uma mensagem entre pelo menos duas pessoas, a que emite e a que receciona a mensagem. Mas no sentido mais profundo, poderemos dizer que a comunicação nos permite alcançar tudo o resto. Permite motivar ações e alcançar objetivos. Permite motivar pessoas, desencadear emoções, gerar mudanças. A comunicação é, sem dúvida, a habilidade mais valiosa do mundo. 

Esta habilidade desenvolve-se desde o primeiro dia de vida e vai-se diferenciando, modificando e complexificando-se ao longo da vida. Nos primeiros meses de vida, a comunicação é feita através do choro e das suas modificações. É feita através de expressões faciais e corporais. E começamos a aprender desde tenra idade, que a comunicação provoca uma ação por parte dos outros. E que com ela, conseguimos aquilo que queremos quando não somos capazes de a alcançar. Quando começamos a falar, a comunicação torna-se mais fácil de se expressar e compreender, dentro dos mesmos sistemas linguísticos. Podemos ainda comunicar através de gestos, símbolos, escrita… 

Mas, e se perdemos a capacidade de comunicar? Ou se ela se altera e se torna menos acessível? 

Quando tal acontece, poderão surgir barreiras comunicativas. Elas podem estar presentes quando há alterações na compreensão e/ou expressão da linguagem (decorrentes de doenças neurológicas como o AVC, o TCE, entre outros), quando existem alterações de visão e/ou audição (desde o nascimento ou adquiridas durante o desenvolvimento ou em fase adulto), quando há alterações físicas, entre outras.  

As pessoas que vêm a sua capacidade de comunicação comprometida, perdem muito mais do que isso. A simples intenção de demonstrar uma necessidade tão biológica como a sede, pode ficar impossibilitada. Manifestar uma dor pode estar fora do seu alcance. As atividades do dia a dia como ir ao supermercado ou ao médico podem estar condicionadas, limitando a participação, a independência e a integração da pessoa na sociedade. 

Não devemos nós então, munir a pessoa e nós próprios de ferramentas que auxiliem a comunicação?  

Aqui ficam algumas estratégias que podem ajudar perante uma pessoa com dificuldade na comunicação: 

Falar devagar; fazer perguntas de resposta fechada (sim/não); usar palavras simples e concretas; ter a face visível; complementar a fala com o uso da escrita, de gestos, expressões faciais, desenhos, figuras, objetos, etc.; usar palavras-chaves e dar entoação melódica às palavras; usar tabelas de comunicação. 

Devemos ainda ter sempre em mente, que a pessoa do outro lado não perdeu a memória ou a sua inteligência. Apenas não consegue comunicar da mesma forma. Por isso, é da responsabilidade de todos e de cada um, tornar a comunicação acessível a todos.  

Maria João Vieira  e Sofia Magno Sousa 

Terapeutas da Fala do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação da ULS Braga  

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