Os problemas músculo-esqueléticos representam uma das principais causas de incapacidade e ausência laboral em Portugal, afetando negativamente a qualidade de vida da população, a produtividade do país e o Serviço Nacional de Saúde. Estas condições incluem patologias que envolvem ossos, músculos, articulações, tendões, ligamentos ou nervos, com destaque para a dor lombar, tendinites, artroses e lesões desportivas. Afetam particularmente trabalhadores submetidos a esforços repetitivos, pessoas sedentárias e idosos.
A prevenção é um pilar essencial para reduzir o impacto destas patologias. É indispensável que o local de trabalho esteja adaptado ao funcionário, para garantir conforto e uma postura correta. Na prática de exercício físico, é crucial educar a população sobre práticas seguras, como o aquecimento, o fortalecimento muscular e o uso de equipamentos adequados.
O tratamento destas patologias exige uma articulação eficaz entre os hospitais e os cuidados de saúde primários. No contexto hospitalar, as especialidades que mais comummente abordam estas patologias são a Medicina Física e de Reabilitação (MFR), a Reumatologia e a Ortopedia. Nos cuidados primários, os Médicos de Família são fundamentais na identificação precoce, possibilitando intervenções eficazes e o atempado encaminhamento para as especialidades hospitalares.
A MFR é uma especialidade médica que atua na prevenção, diagnóstico e tratamento de múltiplas patologias, incluindo as condições músculo-esqueléticas, em pessoas de todas as idades. Com uma abordagem multiprofissional e uma visão integrada, a MFR considera não apenas a doença, mas também a funcionalidade do doente e outros fatores que influenciam a sua qualidade de vida. No que diz respeito ao diagnóstico, a MFR destaca-se pela capacidade de realização de uma avaliação clínica detalhada, podendo esta também incluir a prescrição e interpretação de exames de imagem.
Esta capacidade diagnóstica permite ao Fisiatra dirigir e adequar o tratamento de forma individualizada e personalizada. A MFR é essencial no tratamento de patologias músculo-esqueléticas que não melhoram com o tratamento farmacológico. Nestes casos, a reabilitação oferece soluções não invasivas, como exercícios terapêuticos, programas de fortalecimento muscular, terapia por agentes físicos ou outras intervenções, que permitem o alívio da dor e melhoram a funcionalidade, evitando, muitas vezes, a necessidade de intervenções cirúrgicas.
Mesmo no contexto cirúrgico, a MFR pode desempenhar um importante papel. Antes da cirurgia, prepara o paciente para o procedimento, fortalecendo músculos, melhorando a mobilidade e reduzindo o risco de complicações. Após a cirurgia, como em casos de colocação de próteses articulares ou operações à coluna, a MFR garante uma reabilitação eficaz, ajudando o doente a recuperar mais rapidamente a funcionalidade e a independência.
Para além dos médicos, os profissionais de saúde não médicos, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e enfermeiros de reabilitação, também são importantes neste processo. Uma abordagem multidisciplinar e multiprofissional é vital para o sucesso do tratamento, tendo os médicos Fisiatras um papel central no diagnóstico, prescrição e coordenação do plano terapêutico.
Em suma, os problemas músculo-esqueléticos em Portugal exigem uma resposta integrada, capaz de melhorar a qualidade de vida da população, reduzir a carga sobre o sistema de saúde e garantir uma abordagem mais eficiente e equitativa.
Cátia Barbosa Martins e João Esteves Sousa
Médicos Internos do Serviço de Medicina Física e Reabilitação da ULS Braga
