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Doenças Oncológicas, Prevenção e Estilo de Vida

Cancro colo-rectal: como prevenir

O cancro colo-rectal é um problema de saúde pública no mundo ocidental, refletindo o estilo de vida e o envelhecimento da nossa população. Em Portugal é a primeira causa de morte por cancro e representa 16% das mortes associadas a doença maligna.

Toda a população, homens e mulheres, com idade igual ou superior a 50 anos tem um risco crescente de cancro colo-rectal.

Trata-se de um tumor cujas células cancerígenas se desenvolvem a partir dos tecidos do cólon ou reto (intestino grosso), assumindo habitualmente a forma de pólipos – lesões pré-malignas. A sua progressão conduz ao cancro colo-rectal, que em fases mais avançadas se manifesta por alteração do funcionamento intestinal, dor abdominal, sangue nas fezes, anemia, cansaço e emagrecimento.

A história natural é bem conhecida, assim como os seus principais fatores e grupos de risco. Portanto, se a questão é “como prevenir?” sabemos que é importante um estilo de vida saudável – dieta rica em fibras e antioxidantes, pobre em gorduras, carnes vermelhas e alimentos processados; exercício físico; e evicção de álcool e tabaco. Mas, indubitavelmente a prevenção assenta na deteção ativa e no tratamento de lesões precoces (polipectomia), por conseguinte no rastreio da população geral a partir dos 50 anos e na vigilância dos grupos de maior risco.

Rastreio significa a procura da doença em indivíduos assintomáticos. Logo, o rastreio do cancro colo-rectal pressupõe a deteção de lesões pré-malignas ou de tumores numa fase precoce, cuja deteção atempada permite uma maior facilidade e eficácia dos tratamentos subsequentes.

O melhor exame de rastreio deve reunir menos riscos, mais benefícios, melhor adesão e ser custo-eficaz, mas todos têm vantagens e desvantagens. Os dois métodos de primeira linha são a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF, teste imunoquímico fecal).

A colonoscopia é o exame de referência, que identifica lesões em todas as fases de progressão. Apresenta a maior eficácia na redução da mortalidade e incidência. Mais do que um exame de rastreio é um exame preventivo, porque reconhece e trata as lesões pré-malignas. Contudo, além do seu custo, a população nem sempre a aceita bem.

A PSOF deteta sangue nas fezes invisível a “olho nú”. Como os pólipos sangram só às vezes, habitualmente as lesões que deteta são mais avançadas – pólipos maiores e cancro precoce. Quando positivo obriga à observação por colonoscopia. Mas, é uma alternativa válida porque sendo mais simples as pessoas aderem melhor.

Nos últimos anos assistimos a um rastreio oportunístico do cancro colo-rectal – se mais de 50 anos, numa consulta de rotina o seu médico poderia propor-lhe um exame, discutir os prós, os contras e a sua aceitação. Porém, para haver impacto efetivo o rastreio deve ser organizado e populacional e em 2017 o Governo Português legislou nesse sentido.

Após análise da realidade portuguesa, considerou-se custo-eficaz e exequível o rastreio com PSOF de 2 em 2 anos, seguido de colonoscopia nos casos positivos. Assim, é natural que se tem entre 50 e 75 anos possa já ter sido convocado neste âmbito.

O rastreio além dos 75 anos deve ser ponderado caso-a-caso pelo médico. Assim como a vigilância de determinados grupos de maior risco – história pessoal ou familiar de cancro colo-rectal e/ou pólipos, doença inflamatória intestinal (colite ulcerosa ou de Crohn), síndromes genéticas com risco neoplásico (PAF, HNPCC) – pode ser necessário avaliar mais cedo, com metodologia e periodicidade diferente da população geral.

Em caso de dúvida procure informação adicional junto do seu médico assistente.

Carla Rolanda

Gastrenterologista da ULS Braga

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