O Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) ocorre quando uma determinada região do coração morre devido à ausência de sangue, por obstrução da artéria coronária que o irriga. Na origem desta obstrução está, maioritariamente, o crescimento das chamadas placas de aterosclerose, compostas por vários elementos, incluindo gordura, componentes do sangue, entre outros.
Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS), nos últimos anos, apesar do aumento do número de internamentos por doenças do coração, registaram-se menos mortes. Esta realidade remete-nos naturalmente para a evolução dos tratamentos realizados, mas atendendo à gravidade que uma situação deste género implica importa refletir tendo em vista o futuro:
quais os cuidados a ter após um EAM?
É importante munir os cidadãos que foram vítimas de um EAM de conhecimentos que permitam diminuir as hipóteses de recorrência do mesmo. Esses ensinos são realizados ainda na Unidade de Cuidados Intermédios Cardíacos e estendem-se até ao momento da alta, na enfermaria. Hoje, no Dia Mundial do Coração, relembramos esses conhecimentos que visam a cessação ou controlo dos fatores de risco modificáveis, sendo recomendado:
- Cessação tabágica total, dada a evidente correlação no tabaco com o aumento da probabilidade de EAM e outras doenças. Segundo a Organização Mundial de Saúde, constitui a principal causa evitável de doença ou morte prematura, nos países desenvolvidos, sendo que uma em cada duas pessoas que fume regularmente, morrerá por uma doença associado ao tabaco;
- Controlo da tensão arterial, dado que a hipertensão era em 2013, segundo a DGS, o fator de risco mais prevalente na população portuguesa. O diagnóstico de hipertensão arterial relaciona-se com a elevação persistente e avaliada em várias ocasiões, da pressão arterial, para valores iguais ou superiores a 140mmhg (sistólica ou máxima) e 90mmhg (diastólica ou mínima);
- Evitar o excesso de peso, usando como referência o índice de massa corporal (IMC), que se calcula dividindo o peso pelo quadrado da altura, e o perímetro abdominal (medição da cintura). Neste âmbito, o objetivo passa por evitar um IMC superior a 25 e perímetros abdominais superiores a 88cm nas mulheres e 102 cm nos homens.
- Uma alimentação adequada, que respeite as proporções recomendadas na roda dos alimentos, e a moderação do consumo de álcool são pilares fulcrais na vida pós enfarte devendo, se necessário, recorrer aos serviços de saúde, para aconselhamento especializado.
- Prevenir e diagnosticar precocemente a Diabetes, uma vez a taxa de prevalência em Portugal, é das maiores da União Europeia (estimada em 13,3% em 2015) e atendendo ao facto de esta não estar diagnosticada em cerca de 44% dos portugueses afetados pela doença, atrasando o tratamento da mesma. O avanço da doença afeta múltiplos órgãos, incluindo o coração, sendo essencial o seu controlo uma vez instalada a doença.
Importa ainda referir o papel do exercício físico regular, em quantidade e intensidade recomendada pelos profissionais de saúde, mediante a condição física de cada pessoa e a gestão do stress, cada vez mais debatida na atualidade, dada a importância no desencadear de problemas cardíacos potencialmente graves.
Reforça-se ainda, a necessidade de cumprir rigorosamente a medicação prescrita e nunca a abandonar por iniciativa própria.
Na impossibilidade de prevenção de novo EAM, relembramos os sinais e sintomas mais comuns do mesmo:
- dor/sensação de “aperto no peito”
- que pode estender-se ao pescoço, braços ou costas
- falta de ar
- cansaço
- suores frios
- náuseas/vómitos
- sensação de desmaio e ansiedade
Nestas situações deve impreterivelmente ligar o 112, sendo completamente desaconselhado o uso de meios próprios para a deslocação ao hospital.

Rui Vilaça
Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica da ULS Braga
Susana Martins
Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica da ULS Braga