A depressão sazonal, é também designada por seasonal affective disorder (SAD) ou seja Transtorno Afetivo Sazonal, descrito primeira vez em 1984 por Norman Rosenthal, psiquiatra e investigador da Escola de Medicina da Universidade de Georgetown e assume-se como uma depressão relacionada com a mudança de estação.
Ainda que esteja mais relacionada com a mudança de estação do outono para o inverno, quando os dias passam a ser mais frios e cinzentos, pode ser frequente, ainda que mais raramente, na primavera ou verão.
Ainda não existe uma causa explícita, no entanto, tem vindo a ser comprovado que a depressão sazonal é mais frequente, nos países do hemisférios norte, como é o caso de Portugal. Não escolhendo idade ou sexo, a depressão sazonal é mais prevalente nas mulheres, sendo mais acentuada, na sua manifestação, nos homens, podendo ter uma componente genética, sendo ainda referido que é mais frequente nos mais jovens que nos adultos de meia-idade ou nos mais idosos.
A luz solar influencia o nosso relógio biológico e quando existe uma baixa luminosidade, assiste-se a uma quebra na produção da serotonina, um neurotransmissor que afeta e regula o nosso humor. Diminuindo a produção de serotonina aumenta a propensão para a vivência de emoções como a tristeza e, consequentemente, a propensão para a vivência de quadros depressivos. Sendo as noites maiores com o inverno, surge ainda o aumento dos níveis da melatonina, a hormona que regula o sono, aumentando a fadiga, a hipersonolência e perda de energia, etc.
De facto, os sintomas deste quadro assumem-se muito semelhantes a um quadro depressivo, ainda que menos intenso, tem impacto significativo na saúde mental, pelo que não deve ser negligenciado.
Os sintomas mais comuns são: perda de energia; fadiga, défices de atenção e concentração; oscilações de humor, irritabilidade, alterações do sono (hipersonolência, insónia), alterações do apetite (perda ou aumento), alterações da líbido.
Ainda que seja inevitável não sermos afetados pela falta de sol, algumas estratégias podem ser adotadas para minimizar esta perda. Portugal é um país com um clima solarengo pelo que deveremos aproveitar. São algumas estratégias: Acordar mais cedo; abrir as janelas para permitir entrar luz natural; no trabalho, se possível, ter luz natural, mesmo para quem está em teletrabalho optar por um local onde esteja exposto a luz natural; fazer exercício ao ar livre e, de preferência, pela manhã 30 minutos; ter uma alimentação saudável, rica em vitamina D; boa higiene do sono, diminuindo a exposição à luz artificial e o manuseamento dos computadores, telemóveis e tablets, pelo menos meia hora antes de dormir. A exposição à “luz azul” presente nestes dispositivos, interfere na qualidade do sono, pondo-nos mais despertos, reativos e interferindo no processamento da informação.
A saúde mental é fundamental para o equilíbrio e bem-estar geral. Não deixe de procurar uma profissional de saúde. Não se esqueça que não devemos apenas cuidar da nossa Saúde Mental quando temos um problema. Podemos também procurar um profissional de saúde mental para desenvolver estratégias para melhorar a nossa qualidade de vida e promover o nosso bem-estar emocional.
Seja feliz mesmo em dias cinzentos!
Cristiana Lopes
Psicóloga ULS Braga
