HUB da Saúde
Ossos e Músculos, Prevenção e Estilo de Vida, Uncategorized

Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide

O Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide, comemorado a 5 de abril, foi criado em 1999 pelo Ministério da Saúde para sensibilizar a população para os desafios enfrentados por estes doentes. A Artrite Reumatoide é uma doença inflamatória crónica que afeta entre 0,8 a 1,5% da população, com uma incidência maior no género feminino, e que compromete seriamente a qualidade de vida destes doentes. Neste dia é essencial reforçar a literacia em saúde, pois conhecer a doença, os seus sintomas e os tratamentos disponíveis são os primeiros passos para um melhor controlo da doença e para uma vida mais autónoma. 

A presença de artrite – inflamação articular – é uma caraterística fundamental da doença, levando a dor, edema e rigidez matinal articular prolongada. Estas queixas surgem nas primeiras horas da manhã e em repouso, despertando o doente no período noturno. Pode afetar qualquer articulação do corpo, mas, geralmente, numa fase inicial afeta sobretudo as pequenas articulações das mãos e pés. Importa dizer que, apesar de afetar predominantemente as articulações, é uma doença sistémica, podendo acometer órgãos como os pulmões e a pele. Na ausência de tratamento adequado, a destruição articular conduz a deformidades e a incapacidade funcional, traduzindo-se em perdas para o indivíduo e para a sociedade onde este está inserido. 

Sabe-se que o diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais, pois na fase inicial de doença existe uma janela de oportunidade única, com influência no curso da doença. É então fundamental a referenciação precoce a um Reumatologista. 

Atualmente, existe um diverso arsenal terapêutico capaz de controlar eficazmente a doença. O metotrexato mantém-se como a primeira linha de tratamento, com longos anos de evidência sobre o seu sucesso terapêutico. Os anti-inflamatórios não esteroides e os glucocorticoides, na dose e tempo certos, são aliados no controlo das crises agudas de doença. Nas últimas décadas, o tratamento desta doença foi revolucionado pelo surgimento de fármacos antirreumáticos modificadores de doença biológicos. Estes fármacos, dirigidos a certas moléculas, permitem que um certo grupo de doentes resistentes aos tratamentos tradicionais tenham também a sua doença em remissão. 

As medidas não farmacológicas, como o exercício físico e a fisioterapia, permitem reduzir a rigidez e preservar a mobilidade articular. O apoio psicossocial contribui para melhorar os sintomas não físicos e o bem-estar dos doentes. 

Em Portugal, a prescrição destes medicamentos é gratuita e está assegurada por uma portaria específica, retirando barreiras financeiras e garantindo um apoio universal a estes doentes. Assim, garante-se um alívio não só dos sintomas da doença, mas também do peso financeiro associado ao tratamento. Parceiros como a Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (ANDAR) têm sido essenciais como voz ativa na defesa dos direitos das pessoas que vivem com a doença. 

Neste dia comemorativo, é necessário reconhecer a realidade das pessoas que convivem diariamente com esta doença, alertando para a importância da avaliação por Reumatologia para um diagnóstico e tratamento precoces, com vista a um prognóstico funcional e qualidade de vida melhores. É possível viver com Artrite Reumatoide e ter uma vida plena e indolor.

Duarte Augusto

Médico Reumatologista da ULS Braga 

Exit mobile version