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Cuidar dos Olhos no Verão: a prevenção é a melhor proteção

O verão é sinónimo de sol, calor, praia e actividades ao ar livre. No entanto, esta estação
traz consigo riscos acrescidos para a saúde ocular frequentemente negligenciados pela
população, que estão associados à exposição à luz solar que tem no seu espectro
luminoso radiação ultravioleta (UV). Para além disso, o contacto com água do mar ou da
piscina, o uso de ar condicionado e a secura ambiental podem causar desconforto ou
lesões, podendo chegar mesmo a comprometer a visão. Conheça melhor os principais
cuidados a ter com os olhos durante os meses mais quentes do ano.


1. Óculos de sol: muito mais que um acessório
Usar óculos de sol de qualidade é essencial. A radiação UV pode causar quadros mais
benignos e transitórios como as fotoqueratites (inflamações da córnea) mas é um factor
de risco para lesões graves como cataratas, degeneração macular e até tumores oculares
que, através do seu efeito cumulativo, podem manifestar-se bastantes anos mais tarde.
Por isso, é imprescindível escolher óculos com 100% de proteção contra os raios UVA e
UVB. Óculos de sol sem certificação, mesmo que vendidos como “protectores”, podem
ser perigosos, pois fazem com que a pupila se dilate e amplifiquem a entrada de radiação
nociva sem real protecção. É mais perigoso utilizar óculos não certificados do que não
utilizar nenhuns!


2. Evite a exposição solar nas horas críticas
A exposição solar entre as 11h e as 15h deve ser evitada, não só pelos perigos que
representa para a pele, mas também pelos danos que pode provocar no olho. Durante
estas horas, a intensidade da radiação UV atinge níveis máximos, aumentando o risco de
lesões oculares. Sempre que possível, procure zonas de sombra ou use chapéu de abas
largas para proteção adiccional.


3. Cuidado com o cloro e o sal
Muitos aproveitam o verão para se refrescar no mar ou na piscina, mas a água pode
causar irritação nos olhos. O cloro das piscinas pode provocar vermelhidão, ardor e até
conjuntivite química. Já o sal da água do mar pode desencadear secura e desconforto. O
uso de óculos de natação é uma medida simples e eficaz para proteger os olhos durante
os mergulhos.


4. Evite partilhas desnecessárias
Com o calor, as infeções oculares como a conjuntivite tornam-se mais comuns,
especialmente em ambientes como praias, piscinas e festivais. Evite partilhar toalhas,
lenços, óculos, colírios e produtos de maquilhagem com outras pessoas. Mantenha
sempre uma boa higiene das mãos antes de tocar nos olhos.


5. Hidratação é fundamental
O calor excessivo e o ar condicionado contribuem para o ressecamento ocular,
especialmente em quem usa lentes de contacto. Beber água em abundância ajuda a
manter o corpo hidratado, inclusivamente o olho. Se sentir desconforto, ardor ou
sensação de areia nos olhos, considere o uso de lágrimas artificiais e, caso persista, a
avaliação por um oftalmologista.


6. Cuidados com lentes de contacto
No verão, o uso de lentes de contacto requer cuidados redobrados. Evite utiliza-las
durante o banho de mar ou piscina, pois são um factor de risco para infeções graves na
córnea por microorganismos mais agressivos, incluindo parasitas.


7. Proteção para todas as idades
Crianças e idosos são especialmente vulneráveis à radiação solar. Os olhos das crianças
são mais sensíveis à luz intensa e a acumulação de exposição solar desde cedo pode
causar danos futuros. Nos mais pequenos, evitar a exposição é a medida mais eficaz
mas, quando acontece, usar chapéus de abas largas é a atitude mais importante e, assim
que possível e sob supervisão da sua correcta manipulação, iniciar a utilização de óculos
de sol. Nos idosos, condições pré-existentes como cataratas ou degeneração macular
podem agravar-se. Por isso, é essencial garantir que todos utilizam proteção solar
adequada para os olhos.


8. Consulte o oftalmologista
A prevenção passa por uma vigilância regular. Uma consulta anual com o oftalmologista é
recomendada, sobretudo se sentir ardor, visão turva, olhos vermelhos ou
fotossensibilidade. Em caso de sintomas persistentes após a exposição solar, procure
atendimento especializado.

 

Ricardo Leite

Médico da ULS Braga

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