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Quando o coração chora de dor

A angina de peito é a manifestação mais frequente da isquemia miocárdica provocada pela falta de oxigénio e nutrientes; é descrita como um desconforto, aperto no peito e que ocorre quando o sangue rico em oxigénio não chega em quantidade suficiente às células musculares do coração, o miocárdio.

A angina de peito é um sintoma que ocorre quando por exemplo um esforço físico não habitual aumenta a carga de trabalho cardíaco e a necessidade de oxigênio transportado pelo sangue é superior à capacidade das artérias coronárias de o fornecer; uma das características diferenciadoras da angina de peito é o aparecimento de dor, peso ou desconforto torácico que surge, principalmente, com o esforço físico e que desaparece com o repouso.

Ao contrário da angina de peito, o enfarte agudo do miocárdio, também designado Síndrome Coronário Agudo, não está relacionado com o esforço físico, podendo mesmo acontecer durante o sono. É provocado pela rutura súbita de uma placa aterosclerótica que leva à oclusão aguda da uma artéria coronária.

O Enfarte Agudo do Miocárdio é uma emergência médica, ocorrendo as complicações mais graves nas primeiras horas após o início dos sintomas; todos os minutos contam para limitar a duração da esquemia e a morte das células miocárdicas e diminuir deste modo o risco de complicações major e melhorar o prognóstico.

Os principais sintomas são a dor retroesternal, descrita como um peso, sensação de esmagamento ou aperto no peito, que pode irradiar para o pescoço, maxilares, ou braços e omoplatas. Pode surgir acompanhada por suores frios, náuseas e vómitos, falta de ar e ansiedade, sensação de desmaio. Alguns doentes referem sensação de enfartamento epigástrico, indigestão.

Na presença destes sintomas não se deve demorar a pedir ajuda médica e nunca dirigir-se ao hospital pelos seus próprios meios, pois que, para além do risco de sofrer uma complicação grave no trajeto há uma perda de tempo precioso.

Para minimizar o intervalo temporal entre o início dos sintomas e o início do tratamento foi criada em todo o país a Via Verde Coronária que permite uma rápida ligação entre o ambiente préhospitalar e o hospital.

Para que seja acionada a Via Verde, deve ligar para o número nacional de emergência médica, o 112. A chamada é recebida no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) devendo explicar com clareza os sintomas e dar com precisão todas as informações solicitadas. Caso se verifique que as queixas sugerem uma provável doença coronária aguda, é enviado de imediato um Veículo Médico de Emergência e Reanimação (VMER) ao local onde se encontra o doente e é imediatamente iniciado o tratamento, no local e durante o trajeto até ao hospital.

No serviço de urgência é conduzido diretamente para o laboratório de hemodinâmica onde já se encontra uma equipa médica especializada preparada para proceder à desobstrução percutânea da artéria coronária ocluída, isto é uma angioplastia coronária.

É feito um cateterismo cardíaco para visualizar as artérias coronárias e identificar a artéria obstruída. Através de uma artéria do braço ou perna é introduzido catéter até ao coração e através dele é injetado um produto de contraste nas artérias coronárias que serão visualizadas através de raios X.

Localizada a artéria obstruída, avança-se para a angioplastia coronária, procedimento que repõe a circulação sanguínea: cateter com um balão é colocado no ponto da obstrução, é insuflado para dilatar a artéria e esmagar a placa obstrutiva contra a parede do vaso. Depois é implantado um stent (fina rede metálica e tubular), que fica aberto contra a parede arterial. Simultaneamente, o doente é sujeito a terapêutica farmacológica, principalmente com fármacos hipocoagulantes e outros que irá manter durante vários meses ou mesmo para toda a vida, por exemplo a aspirina.

Não é certo que seja possível evitar em absoluto a doença coronária, pois o processo aterosclerótico é inexorável, mas podemos limitar a sua gravidade ou adiar o seu aparecimento.

Um dos pilares básicos da sua prevenção é a adoção de estilos de vida saudáveis, que passam por controlar os fatores de risco conhecidos, através de comer bem, dormir bem, praticar exercício físico, tomar toda a medicação prescrita e visitar o médico de família e o cardiologista periodicamente, pois eles são os nossos amigos do peito.

Irene Varanda

Enfermeira do Serviço de Cardiologia da ULS Braga

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