Comemora-se no dia 5 de Maio mais um Dia da Parteira (Enfermeira Especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica – EEESMO), com o objetivo de realçar o trabalho desenvolvido por estes profissionais em todo o mundo e o seu contributo para a melhoria dos cuidados oferecidos às mulheres.
A intervenção destes profissionais é essencial para a promoção da gravidez saudável, de partos em segurança, e para um crescimento adequado dos recém-nascidos durante o seu primeiro mês de vida.
Todos temos uma parteira na nossa vida. Com uma formação sólida, de nível superior, as parteiras são a garantia do cumprimento das normas internacionais para o nascimento fisiológico e das práticas humanizadas na assistência á gravida, parturiente e puérpera, fazendo parte da vida de cada mulher desde o nascimento, estando presentes ao longo do seu ciclo de vida, com intervenções autónomas nas áreas da sexualidade e planeamento familiar; pré-conceção, gravidez, parto e pós-parto; climatério e ginecologia. As parteiras são o pilar da saúde da mulher, promovendo a sua autonomia e empoderamento.
Exercendo a sua prática alicerçada nas evidências científicas atualizadas e numa vivência profissional que privilegia a proximidade e o conhecimento contínuo das necessidades e expetativas do seu público alvo, são quem melhor conhece as suas preocupações e ansiedades, as suas inseguranças e frustrações e se esforçam a cada minuto por satisfazer a subjetividade e individualidade de cada experiência, na busca do caminho para a sua satisfação e realização plenas em momentos únicos, inesquecíveis e irrepetíveis.
Nos momentos conturbados que se vivem na saúde em Portugal, particularmente na área da saúde materna e neonatal, é urgente refletir sobre as soluções para este grande problema que mina o SNS, colocando em risco a segurança e destruindo a confiança dos utentes, sem se equacionarem alternativas que envolvam todos os intervenientes no processo e se mobilizarem todos os recursos disponíveis.
As competências e os conhecimentos das EEESMO e a legislação que as suportam excedem em muito o que na prática lhes é permitido exercer nos seus locais de trabalho. A vigilância da gravidez de baixo risco, o parto e puerpério de baixo risco estão contemplados nas competências autónomas que legalmente que lhes são atribuídas, mas que são entregues a outros profissionais, alguns dos quais sem formação especifica na área.
Numa área com recursos insuficientes, a exclusão destes especialistas na construção de políticas de saúde sólidas e integrativas revela falta de coragem, ou submissão a interesses inexplicados que representam um obstáculo á acessibilidade aos cuidados de saúde. As parteiras serão sempre um elemento importante a ter em conta na procura da saúde para todos. O contributo das parteiras é essencial para garantir igualdade no acesso aos cuidados especializados na área da saúde da mulher, materna e neonatal minimizando os problemas que presentemente enfrentamos e quem sabe se agravarão.
No próximo 8 de Maio, a ULS de Braga vai comemorar o Dia Internacional da Parteira, com um programa dirigido a todos os interessados na área da saúde da mulher, materna e neonatal, que pretende dar visibilidade ao trabalho desenvolvido nesta área pelas EEESMO, com a divulgação de projetos em diferentes áreas de intervenção desde a gravidez, parto, pós-parto à saúde da mulher de risco, todos eles com o objetivo de garantir assistência de enfermagem especializada para todos, em qualquer momento ou lugar da ULS.
Lucília Guerra Sousa
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da ULS Braga
