O uso de cintos de segurança remonta ao século XIX, em que eram usados para que não se caísse das carruagens. Desde então, as mudanças foram muitas. Estão ainda a ser estudados cintos que insuflam, que se desapertam sozinhos em caso de acidente, ou ainda que detetam se estamos a adormecer! Mas, mesmo “simples”, eles estão por todo o lado e o risco é banalizar a sua presença.
Na segurança infantil, os cintos assumem maior relevância pela falta de discernimento das crianças para o perigo. Certo e sabido que se torna uma proeza manterem-se onde os deixamos e, mesmo sem a nossa vontade, coisas inexplicáveis acontecem! Por isso, os cintos são nossos amigos e a sua utilização deve ser ensinada desde cedo. Precisamos de olhar para eles como bons aliados para protegermos o que de mais valioso temos, os nossos filhos. Os cintos estão presentes nos sistemas de retenção automóvel (cadeirinhas do carro, como as conhecemos), nas cadeiras de refeição, nos carros de passeio, nos triciclos, nas cadeiras de baloiço, nos carrinhos de supermercado, nos aviões … é mesmo só usar (ou quase)!
Lembramo-nos mais da utilização dos cintos no automóvel, talvez pela noção de maior gravidade se não o usarmos, ou receio da tão temida multa. Independentemente do motivo pelo qual decidimos a sua colocação, a utilização correta do cinto, num automóvel, é fundamental para a nossa segurança em caso de acidente. Já Newton, na sua 1ª Lei, descrevia como um corpo se mantém em movimento retilíneo uniforme, a menos que uma força externa atue sobre ele. Esta força é papel atribuído ao cinto de segurança. Em caso de embate, este evita que os corpos choquem contra superfícies duras do veículo, minimizando o trauma ou mesmo que a pessoa seja projetada. Noutro tipo de utilização, não menos importante, eles previnem que a criança se exponha a riscos maiores, como quedas em altura, ou simplesmente saia do lugar, onde queremos que permaneça em segurança.
Sempre que existam, por pouco tempo que a criança lá permaneça, em cadeiras ou carrinhos, os cintos devem estar sempre colocados, para que cumpram a sua função.
Mas será que basta apertá-los? A verdade é que o uso de cintos, para que promovam mesmo a segurança, carece de alguns passos importantes:
– Siga as instruções de montagem e colocação. Sempre que estiver perante um novo equipamento, ou em caso de lavagem do mesmo, deve ler as instruções, para que a montagem no final, seja a correta. O manual de utilizador deve acompanhar o equipamento no caso de empréstimo ou venda;
– Os cintos devem estar justos, deixando apenas o espaço de dois dedos entre o cinto e o corpo da criança. Ajuste o cinto a cada utilização;
– Evite o uso de roupas grossas e volumosas enquanto usa cinto de segurança no automóvel, pois dão uma falsa sensação de “justo”. Em caso de embate, estas podem servir como folga entre o cinto e o corpo da criança, fazendo com que esta deslize. Pelos mesmos motivos, não deve usar mantas ou outros tecidos debaixo da criança;
– Qualquer cinto deve estar sem torções ou quebras. No caso de não parecer robusto, reveja a utilização do equipamento. Não devem ser feitas alterações (invenções) ao seu formato original;
– Para uma correta fixação, a parte superior do cinto de segurança deve estar posicionada no meio do ombro, sem ficar muito próximo do pescoço, e a parte inferior deve estar junto da bacia;
– Dedique algum tempo para imobilizar corretamente a criança;
– Dê o exemplo! As crianças aprendem com o que veem e experienciam.
O uso dos cintos deve ser uma prioridade.
Use o cinto, salve vidas!
Eduarda Bastos
Enfermeira Gestora Local do Risco do Serviço de Urgência da ULS Braga
