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Prevenção e Estilo de Vida, Saúde Sazonal

Como prevenir as gripes sazonais

Aproximamo-nos daquela altura do ano em que a palavra mais ouvida na rua, nos transportes públicos e na TV é sempre a mesma: a infame gripe. Habituamo-nos a tornar como parte do nosso vocabulário expressões como “Não sei porquê mas sinto que estou a chocar uma gripe”. 

Mas afinal, o que é a gripe? A gripe é uma doença infeciosa, causada pelos vírus Influenza A e B, que afeta principalmente as vias respiratórias e que atinge o seu pico no inverno. Na maioria das vezes, é uma doença de curta duração com sintomas moderados. Os doentes com mais de 65 anos ou imunocomprometidos podem ter sintomas mais ligeiros; contudo, a recuperação tende a ser mais lenta e o risco de complicações é maior.

A gripe transmite-se por via respiratória, através do contacto próximo (cerca de 2 metros) com secreções respiratórias de uma pessoa infetada, que podem ser expelidas ao falar, rir, espirrar ou tossir. Pode ainda ser transmitida por contacto direto com superfícies infetadas, se após este contacto levarmos as mãos aos olhos, nariz ou boca.

Ora, compreende-se porque é que o povo português, que tende a conversar com proximidadequase nariz-com-nariz, e é adepto do toque e dos afetos, sofra sazonalmente com esta doença. Efetivamente, em países latinos, onde as normas sociais envolvem proximidade física e saudações com beijos ou abraços, parece haver um aumento do risco de transmissão da gripe.

Por outras palavras, aceitamos o calor da febre pois parecemos incapazes de prescindir do calor humano. Apesar do tratamento da gripe proposto pela sabedoria popular ser apelativo (todos nós já ouvimos os nossos avós dizerem “abifa-te, abafa-te e avinha-tea gripe pode e deve ser evitada. Existem várias medidas para prevenir a gripe. A primeira é fácil, pois a nossa memória ainda está bem “fresca” da pandemia COVID-19.

Essa medida é a utilização da máscara, sobretudo por pessoas infetadas. Se o estimado leitor fizer o exercício de pensar nos anos da pandemia, quando a utilização de máscara era obrigatória, é capaz de concluir que não teve o tradicional episódio de gripe, à conta da proteção garantida pela máscara. Além disso, quem tem sintomas de gripe deve evitar partilhar espaços fechados com outras pessoas e diminuir os beijinhos e os abraços, garantindo às pessoas à sua volta que não foi o amor ou a amizade que esmoreceumuito pelo contrário: apenas estão interessados na sua proteção.

É ainda importante arejar os espaços interiores, lavar ou desinfetar frequentemente as mãos e manter a “etiqueta respiratória: ao espirrar/tossir não o fazer para as mãos, cobrir a boca/nariz com um lenço ou com o braço posteriormente lavar ou desinfetar as mãos. Nos locais de trabalho os objetos partilhados (telefones, teclados, ratos,..) devem ser frequentemente desinfetados. Destaque também para a vacina contra a gripe, que é a forma mais eficaz de proteção e destina-se essencialmente a pessoas vulneráveis.

A vacinação terá como destinatários: pessoas com 60 anos ou mais; grávidas; profissionais de saúde; residentes em lares de idosos ou instituições semelhantes e seus profissionais; portadores de doenças crónicas (exemplos: asma, doenças cardíacas ou renais, obesidade); e outros grupos que incluem coabitantes/cuidadores de pessoas de alto risco que não possam ser vacinadas.  

Embora a vacinação seja crucial, não podemos esquecer as medidas simples que ajudam a evitar a gripe.

Afinal, quem quer perder a oportunidade de se juntar à mesa na ceia de Natal e trocar beijinhos e abraços no Ano Novo, sem se preocupar com um vírus indesejado a estragar a festa? 

Ana Luísa Vieira

Médica da ULS Braga

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