De acordo com dados do GLOBOCAN 2022 o cancro da mama é o tipo de cancro mais
frequente no género feminino, representando cerca de 38% de todos os diagnósticos
oncológicos em Portugal. Apesar dos avanços no tratamento, continua a ser também a
principal causa de morte por cancro nesta população. Não sendo uma doença exclusivamente
das mulheres, a taxa de incidência nos homens ronda 1%. No entanto, frequentemente os
diagnósticos são mais tardios e em fases mais avançadas, o que agrava o prognóstico.
Nos últimos anos o desenvolvimento científico tem permitido o surgimento de novos fármacos
com impacto na sobrevivência das doentes, sem comprometer a qualidade de vida. Mas, a
prevenção e diagnóstico precoce continuam a ser as principais armas na luta contra esta
doença.
- A prevenção passa, em primeiro lugar, pela sensibilização para os fatores de risco. O
cancro de mama pode estar associado a mais do que um fator de risco, destacando-se:- Idade mais avançada
- Obesidade (IMC > 30)
- Inatividade física
- Consumo excessivo de tabaco e álcool
- Primeira menstruação precoce ou menopausa tardia
- Primeira gravidez após os 30 anos de idade ou nunca ter engravidado
- Uso de terapêutica hormonal de substituição
- História familiar de cancro de mama
- É também fundamental que a população esteja consciente de alterações físicas que
devem motivar a observação médica, como é o caso do aparecimento de um nódulo
na mama ou região axilar; retração do mamilo; variações no tamanho ou na forma da
mama; pele com aspeto semelhante a “casca de laranja”; ou a presença de
escorrências mamilares. Em Portugal, o rastreio do cancro da mama, promovido pela
Liga Portuguesa Contra o Cancro, está acessível, de forma gratuita, a todas as
mulheres entre os 50 e os 69 anos, através da realização de mamografia a cada dois
anos.
O cancro da mama é uma das doenças com maior impacto na nossa sociedade. Diariamente há
mulheres a serem diagnosticadas e mulheres a atravessar os múltiplos tratamentos
disponíveis. Há mulheres que perdem a batalha e mulheres que vencem e contam a sua
história. Há mulheres que se uniram à doença para se tornarem mais fortes e aprenderam a
viver uma nova vida.
O Dia Mundial da Luta Contra o Cancro da Mama é celebrado a 19 de outubro, mas, face à
elevada incidência e prevalência desta doença, multiplicam-se campanhas de sensibilização
como é o caso do movimento “Outubro Rosa”. Ao longo do mês diversas entidades unem-se
com o objetivo de promover ações educativas, organizar atividades desportivas e momentos
de partilha de experiências e divulgar projetos de solidariedade. Com este movimento,
simbolizado pelo laço cor-de-rosa, pretende-se, não só aumentar a consciencialização sobre
esta doença, mas também angariar fundos para investigação e apoio aos doentes e suas
famílias.
A luta contra o cancro da mama é uma luta diária, dos doentes e das suas famílias. É uma
prioridade de saúde pública e, por isso, uma luta de todos nós.
Diogo Lopes e Raquel Fontes
Médicos do Serviço de Oncologia da ULS Braga
