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Queda de cabelo sazonal

A queda acentuada de cabelo após o verão, ou alopécia sazonal, é um problema que preocupa muita gente, especialmente as mulheres. No entanto, é importante perceber que uma queda superior ao habitual nesta época do ano é considerada normal e é transitória, tendo geralmente a duração de algumas semanas.

Para se perceber este fenómeno, é necessário entender que cada fio de cabelo tem um ciclo de vida próprio, o que permite a sua renovação ao longo do tempo. Cada folículo piloso tem uma fase de crescimento de 2 a 5 anos, seguida de uma fase de repouso, que dura 3 meses e culmina no desprendimento do cabelo, dando lugar ao início de um novo ciclo.

Normalmente, 15% dos folículos estão na fase de repouso, sendo estes os responsáveis pela queda regular e diária de cerca de 60 a 100 cabelos por dia, a qual atinge o seu máximo no outono. Esta altura do ano é particularmente problemática pois é quando se vão refletir os danos provocados pelas agressões a que é sujeito o cabelo e couro cabeludo no verão, nomeadamente a exposição solar excessiva.

Também alterações hormonais típicas desta época do ano ajudam a explicar a queda mais acentuada no outono.

Apesar de normal, há pessoas que se ressentem mais com esta queda sazonal. Sobretudo as mulheres, em que esta queda acentuada se reflete muitas vezes em perda de volume, densidade e uma aparência de cabelo mais fraco, tendem a valorizar mais este fenómeno. Também à medida que se envelhece, a queda sazonal torna-se mais visível, uma vez que o cabelo vai enfraquecendo com a idade.

Assim, tendo em conta o impacto negativo que produz, particularmente a nível psicológico, podem adotar-se medidas que ajudem a minimizar o impacto da queda sazonal, nomeadamente:

  • Adoção de um estilo de vida saudável, com hábitos regulares de exercício físico e uma alimentação equilibrada e variada.
  • Proteção do couro cabeludo do sol, devendo usar-se um chapéu de um tecido à prova de radiação ultravioleta sempre que se esteja ao ar livre.
  • Uma boa higiene capilar, com produtos adequados ao tipo de couro cabeludo e de cabelo. A ideia de que uma lavagem frequente aumenta a queda de cabelo é falsa. Pode lavar-se o cabelo todos os dias, se utilizado um champô adequado.
  • Devem evitar-se penteados que puxem ou façam muita pressão na linha do cabelo, tais como rabos de cavalo apertados, coques no cimo da cabeça e qualquer outro apanhado que puxe a linha do cabelo. Estes podem levar a um tipo específico de queda de cabelo na zona de maior tensão, denominada alopécia de tração.
  • Pode ainda ser necessário, de acordo com a orientação de um dermatologista, o uso de champôs, loções ou tratamentos tópicos antiqueda específicos ou a toma de suplementos alimentares. Estes últimos ajudam a garantir o aporte de nutrientes que permite fortalecer o cabelo, nomeadamente vitaminas do complexo B, C e E, ácidos gordos ómega-3, 6 e 9 e minerais como o ferro e zinco. Convém ressalvar, que para a obtenção de resultados visíveis, este tipo de produtos deve ser utilizado por um período de tempo mínimo que ronda geralmente os três meses.

Todas estas são medidas importantes para minimizar os efeitos da queda acentuada do cabelo no outono. No entanto, caso esta queda persista após dois meses ou se forem visíveis áreas específicas de rarefação de cabelo, deve recorrer-se a um dermatologista, uma vez que existem muitas outras causas patológicas de alopécia que exigem tratamentos específicos.

Maria José Cunha Guimarães

Médica Interna da Dermatovenereologia da ULS Braga

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