No dia 24 de março, assinalamos mais um Dia Mundial da Tuberculose, um momento para refletirmos sobre os progressos alcançados e os desafios que ainda enfrentamos na luta contra esta doença. Este ano, sob o lema “Sim! Podemos Acabar com a Tuberculose: Compromisso, Investimento, Resultados”, somos lembrados de que eliminar a tuberculose não é um sonho distante, mas sim uma meta realista, desde que tomemos as medidas certas agora.
Compromisso: Transformar Promessas em Ação
Em 2023, líderes mundiais comprometeram-se a erradicar a tuberculose até 2030. No entanto, as promessas, por si só, não bastam. Sem medidas concretas, estratégias eficazes e os recursos necessários, o progresso será sempre insuficiente. Portugal, apesar de ser considerado um país de baixa incidência de tuberculose, é dos países da Europa Ocidental com incidência mais elevada. Além disso, os atrasos no diagnóstico e no início do tratamento ainda ocorrem, e há grupos populacionais mais vulneráveis à doença. Assim, reforçar as políticas nacionais e garantir uma resposta forte e organizada é essencial.
Investir: Priorizar a Tuberculose no Financiamento da Saúde
A tuberculose continua a ser uma das doenças infecciosas mais mortais no mundo, mas o financiamento para a sua prevenção e tratamento permanece aquém do necessário. Investir na tuberculose não significa apenas financiar medicamentos – significa também expandir o rastreio, garantir diagnósticos precoces e melhorar o acesso a cuidados de qualidade, especialmente para casos de tuberculose resistente aos medicamentos. Além disso, é fundamental investir em investigação para novas ferramentas de diagnóstico, tratamentos mais curtos e uma vacina mais eficaz. O investimento feito hoje traduz-se em vidas salvas e na prevenção de novos surtos.
Entregar Resultados: Fazer a Diferença na Vida das Pessoas
Compromissos e investimentos precisam de se refletir em resultados concretos: mais diagnósticos precoces, mais pessoas a receber tratamento preventivo e cuidados de qualidade para todos. Para isso, é crucial intensificar o rastreio, reforçar os programas de deteção ativa e envolver a comunidade na resposta à tuberculose. Em Portugal, os Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP) / Consultas Respiratórias na Comunidade (CRC) desempenham um papel essencial na identificação, diagnóstico e tratamento da tuberculose, garantindo que os cuidados cheguem a quem mais precisa.
O Caminho a Seguir: Um Esforço Coletivo
Acabar com a tuberculose é possível, mas exige o esforço de todos. Profissionais de saúde, decisores políticos, investigadores e cidadãos – cada um tem um papel importante a desempenhar. Educação, deteção precoce e adesão ao tratamento são fundamentais. Todos podemos contribuir, combatendo o estigma e aumentando a sensibilização sobre esta doença.
Neste Dia Mundial da Tuberculose, renovemos o nosso compromisso, exijamos mais investimento e trabalhemos para garantir que cada esforço gere impacto real. Sim! Podemos acabar com a tuberculose – juntos.
Ana Luísa Vieira
Médica Pneumologista do Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP) da ULS Braga
