As doenças cardiovasculares continuam a ser uma das principais causas de morte em Portugal e no mundo, apesar dos progressos das últimas décadas. Os sintomas de doença cardíaca nem sempre são evidentes, e muitos eventos ocorrem de forma súbita, sem aviso prévio. O cansaço fácil, a falta de ar com esforço, a dor ou aperto no peito, as palpitações ou as tonturas podem ser manifestações iniciais. Em caso de dor torácica intensa, persistente ou acompanhada de falta de ar, sudorese ou mal-estar, deve contactar o 112 ou o SNS 24, pois pode tratar-se de um enfarte do miocárdio, que exige tratamento urgente. A atuação rápida é determinante para limitar complicações e aumentar a probabilidade de recuperação completa.
As principais causas das doenças cardiovasculares estão associadas a fatores de risco bem identificados: hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, excesso de peso e sedentarismo. O controlo rigoroso destes fatores é essencial para prevenir a doença e reduzir o risco de eventos súbitos. A idade e o histórico familiar também influenciam o risco, embora não possam ser modificados.
A prevenção deve ser contínua e assenta em hábitos de vida saudáveis. Uma alimentação equilibrada, com baixo teor de sal e gorduras saturadas, e rica em frutas, legumes e cereais, ajuda a controlar o peso, a tensão arterial e o colesterol. A prática regular de exercício físico — pelo menos 150 minutos por semana — contribui para reduzir o risco de eventos cardiovasculares. Evitar o tabaco e moderar o consumo de álcool são igualmente medidas com grande impacto.
Através de uma avaliação simples é possível calcular o risco cardiovascular, que estima a probabilidade de desenvolver uma doença cardíaca nos próximos anos. Este cálculo baseia-se em parâmetros clínicos e laboratoriais e, quando necessário, pode ser complementado por exames adicionais. A avaliação do risco permite definir metas personalizadas de controlo do colesterol, da pressão arterial e de outros fatores, orientando as medidas farmacológicas e não farmacológicas mais adequadas a cada pessoa.
A maioria dos eventos cardiovasculares resulta da formação gradual de placas de gordura nas artérias, um processo chamado aterosclerose. Por isso, grande parte da atuação médica centra-se no controlo do colesterol LDL, conhecido como o “mau colesterol”. Valores elevados de LDL estão diretamente associados a maior risco de enfarte e acidente vascular cerebral.
Existem hoje fármacos eficazes, como as estatinas, que reduzem o colesterol LDL e diminuem significativamente o número de eventos cardiovasculares. Por essa razão, o seu uso é frequentemente associado a medidas de estilo de vida saudável para atingir as metas de controlo recomendadas.
Apesar de alguma desinformação que ainda persiste, as estatinas e outros agentes hipolipemiantes têm sido determinantes na melhoria do tratamento e da prevenção das doenças cardiovasculares. O seu uso adequado, sob orientação médica, é uma das principais razões que explicam a redução consistente da mortalidade cardiovascular nas últimas décadas.
Cuidar do coração é investir na saúde e no futuro. A adoção de hábitos saudáveis e o conhecimento dos fatores de risco e dos sinais de alarme são as melhores ferramentas para reduzir o risco de doença. Como diz o velho provérbio, mais vale prevenir do que remediar — e, no caso das doenças cardiovasculares, esta máxima nunca foi tão verdadeira.
Profissional da ULS Braga
