Segundo a Organização Mundial da Saúde, literacia em saúde é o conjunto de competências cognitivas e sociais que permitem ao indivíduo aceder, compreender e utilizar informações para manter e promover a sua saúde (Health Promotion Glossary,1998).
Refere-se à capacidade do utente aceder, compreender e utilizar a informação em saúde de forma adequada, para tomar decisões informadas e seguras sobre a sua saúde e os cuidados que recebe.
Os riscos mais comuns associados à prestação de cuidados de saúde são a administração incorreta ou duplicada de medicação, situações de identificação errada do utente, alergias não comunicadas ou não registadas, quedas e infeções associadas aos cuidados de saúde.
Em Portugal, têm sido desenvolvidas campanhas e estratégias para envolver os utentes e as suas famílias na segurança dos cuidados; promover boas práticas e aumentar a consciencialização sobre riscos evitáveis e criar ambientes de saúde mais seguros através da educação e participação ativa dos cidadãos.
Estas campanhas destinam-se a desenvolver competências e conhecimentos nos utentes, para melhorar a comunicação, a adesão a tratamentos, e a autonomia de cada utente sendo necessário o uso duma linguagem clara, acessível e direcionada individualmente.
Quando os utentes compreendem melhor a sua situação de saúde, comunicam de forma mais eficaz com os profissionais, aderem mais facilmente aos tratamentos e tornam-se mais autónomos nos cuidados que recebem.
A comunicação deve ser direta, sem termos técnicos confusos, e deve permitir que o utente se sinta à vontade para colocar questões e esclarecer dúvidas. O envolvimento da família ou de alguém da confiança do utente é também importante — ter por perto um familiar ou amigo pode ajudar a escutar com atenção, a lembrar orientações e a dar apoio emocional.
A voz do utente é essencial para garantir a sua própria segurança. Sempre que estiver em contacto com profissionais de saúde, é importante não hesitar em fazer perguntas, especialmente quando algo não for percebido com clareza. É também recomendável levar uma lista atualizada da medicação que toma, informar sobre alergias ou reações adversas que já tenha tido e confirmar sempre com os profissionais quais os tratamentos que vai realizar. Partilhar informação relevante sobre a sua saúde pode evitar erros e melhorar a qualidade dos cuidados.
Para participarem ativamente nos seus cuidados, os utentes devem esperar — e exigir — das unidades de saúde uma comunicação clara, empática e adaptada às suas necessidades. Têm o direito de receber informação acessível sobre a sua saúde e os tratamentos. Devem poder contar com profissionais que os escutem, identifiquem situações de maior vulnerabilidade e promovam o esclarecimento. É legítimo esperar sessões informativas sobre medicação, prevenção de quedas e sinais de alerta em doenças crónicas, bem como materiais simples e úteis, como folhetos ou um “Guia do Utente Seguro”. A segurança começa com o acesso à informação certa, no momento certo.
A segurança do utente constrói-se todos os dias, com base na confiança, na escuta e na partilha de informação. Um utente informado é um utente mais seguro — e, acima de tudo, mais envolvido no cuidado da sua própria saúde.
A segurança é de todos, profissionais, utentes e cuidadores.
Regras de Ouro da Segurança do Utente:
- Perguntar é um direito
- Informar é proteger-se
- A sua participação salva vidas.
Seja ativo na sua própria segurança!
Isabel Costa Pinto e Teresa Manuela Silva
Enfermeiras do Gabinete Gestão do Risco da ULS de Braga
