A Esquizofrenia é uma patologia psiquiátrica crónica que afeta o pensamento, a perceção, o
comportamento e a expressão das emoções. Manifesta-se através de delírios, alucinações
(sobretudo na modalidade auditiva-verbal), discurso e comportamento desorganizados e sintomas
negativos, como apatia e redução da expressão de emoções, interferindo, de forma marcada, na
vida pessoal, social e profissional da pessoa com Esquizofrenia. A prevalência nacional desta
patologia é de cerca de 0,3-0,7% e o início ocorre, geralmente, no início da idade adulta. A
etiologia é multifatorial, englobando vulnerabilidade genética, mas também fatores ambientais,
tais como complicações perinatais, infeções pré-natais, situações de adversidade social, e
consumo regular de canabinoides. O curso da doença é variável, sendo que, com o tratamento
adequado, são possíveis longos períodos de estabilidade.


A pessoa com Esquizofrenia enfrenta, no seu quotidiano, um conjunto de desafios que dificultam
a sua plena integração na sociedade. Todos têm por base o preconceito associado a este
diagnóstico. Pessoas com Esquizofrenia, mesmo cumprindo a medicação psiquiátrica e restantes
medidas terapêuticas, sem descompensação da sua patologia num período de anos, apresentam
dificuldades no acesso a oportunidades de formação, emprego e habitação, contribuindo para um
progressivo isolamento social.


O estigma é uma das maiores barreiras à reabilitação da pessoa com Esquizofrenia. Persistem
mitos, como a associação à violência ou “dupla personalidade”, sem qualquer base científica. O
estigma social gera medo, rejeição e discriminação, afetando a autoestima, reduzindo a procura
de cuidados de saúde e piorando o prognóstico. Promove, ainda, isolamento e sofrimento, sendo
que a redução do seu impacto deve ser encarada como uma prioridade de saúde pública. O
combate ao estigma exige educação, contacto estruturado entre as pessoas com Esquizofrenia e a
comunidade e uma representação mediática responsável, evitando narrativas sensacionalistas que
reforcem preconceitos pré-existentes.


A relação que a família, amigos e comunidade próxima estabelecem com a pessoa com
Esquizofrenia constitui um dos pilares mais relevantes do processo terapêutico. Estes podem ser
responsáveis por identificar alterações do comportamento ou do discurso que possam traduzir
uma descompensação desta patologia, incentivar a procura de cuidados de saúde psiquiátricos,
contrariar a tendência para o isolamento social e oferecer, de forma constante, apoio, segurança,
compreensão e estabilidade.


As políticas de saúde mental evoluíram no sentido da desinstitucionalização e do foco nos
cuidados comunitários. Incluem medidas de promoção da saúde mental, prevenção,
psicoeducação e redução de fatores de risco sociais, aplicadas por equipas de intervenção precoce,
garantindo autonomia, inclusão e não-discriminação. Contudo, persistem desafios como o
subfinanciamento e falta de profissionais.


Múltiplos avanços médicos e farmacológicos – dos quais se destacam as inovações na
farmacologia antipsicótica com menores efeitos adversos e formulações de longa duração, a
existência de programas de intervenção comunitária e o desenvolvimento de psicoterapias com
evidência científica no tratamento desta patologia – permitiram que, atualmente, a pessoa com
Esquizofrenia possa ter a sua patologia psiquiátrica estabilizada e ser um membro funcional da
comunidade em que se insere.

Gustavo Afonso

Médico Interno de Formação Específica de Psiquiatria, do 1º Ano, da ULS de Braga


Carolina Oliveira

Médica Interna de Formação Específica de Psiquiatria, do 3º Ano, da ULS de Braga