A tristeza e a ansiedade tal como a alegria, o medo, a vergonha ou a felicidade são sentimentos e emoções que fazem parte da vida normal das pessoas. Porém, se por um lado fazem parte do dia-a-dia de todos nós, por outro lado podem dominar a forma como vivemos. Quando isto acontece, deixamos de falar em normalidade para começarmos a falar em doença.

Atualmente sabemos que existem pessoas cuja genética e alguns fatores relacionados com a sua atividade cerebral levam a uma maior propensão para virem a sofrer de depressão ou ansiedade. Essas pessoas são mais vulneráveis a desenvolver doença quando sujeitas a situações de vida adversas.

Tal como as outras doenças que conhecemos, a depressão e a ansiedade não resultam de uma fraqueza ou falta de “força de vontade” da pessoa, mas sim de alterações que ocorrem a nível cerebral, em zonas do cérebro responsáveis pela produção de pensamentos e emoções.

A depressão é caracterizada por uma tristeza persistente e falta de prazer em realizar atividades que habitualmente se gostava de executar, podendo ser acompanhada de sintomas como alterações do apetite e do sono, perda de energia, sentimentos de inutilidade, desespero ou culpa, dificuldades de concentração, pensamentos de autoagressão ou suicídio.

Por sua vez, a ansiedade carateriza-se por uma preocupação excessiva ou medo frequente que a pessoa tem dificuldade em controlar, associando-se a outros sintomas como agitação, nervosismo, dificuldades de concentração, irritabilidade, alterações do sono, tensão muscular, pânico e sintomas físicos que mimetizam outras doenças.

Pode ser classificada como estado ou traço. A ansiedade-estado define-se pelo aparecimento de sintomas ansiosos num momento concreto. Por outro lado, a ansiedade-traço consiste na tendência que algumas pessoas têm em vivenciar o quotidiano e em relacionar-se com o meio envolvente com uma carga excessiva de ansiedade.

Quer a depressão quer a ansiedade partilham sintomas comuns e, muitas vezes, estão ambas associadas pelo que é importante procurar ajuda para se realizar o diagnóstico correto e se iniciar o tratamento mais adequado.

Estas doenças são tratáveis e a intervenção terapêutica permite habitualmente uma recuperação mais rápida. Os dois tipos de tratamento mais comuns são: os fármacos (como os antidepressivos e as benzodiazepinas) e a psicoterapia (realizada por psiquiatras ou psicólogos com formação específica). Dependendo da situação em particular, poderá ser recomendado preferencialmente um dos dois tratamentos, ou serem associados.

Hábitos de vida saudáveis como a prática de exercício físico, o relaxamento, a evicção de álcool e drogas, os contactos sociais e afetivos, uma alimentação variada e saudável ou os hábitos de sono saudáveis, não são um tratamento, mas complementam-no, ajudando na redução de alguns sintomas.

O estigma associado a estas doenças continua a ser a principal razão que leva as pessoas a atrasarem a procura de ajuda e a sofrerem as consequências da doença. É importante reconhecer a necessidade de ajuda e procurar um profissional que possa auxiliar. Comece pelo seu médico de família.

Ricardo Ribeiro

Médico Interno de Psiquiatria do Hospital de Braga

Sara Carneiro

Médica Interno de Psiquiatria do Hospital de Braga