O que é? 

A Gastrostomia Percutânea Endoscópica (PEG na sigla em inglês – Percutaneous Endoscopic Gastrostomy) é uma técnica endoscópica que consiste na introdução de uma sonda na cavidade gástrica através da parede abdominal, com a ajuda da endoscopia digestiva alta. A colocação desta sonda permite a administração de comida, líquidos e medicação em doentes que não conseguem deglutir por diversas razões. Existem várias técnicas de introdução da sonda, sendo o método de “Pull” o mais comummente utilizado. As sondas podem ter calibres variáveis, tendo as mais utilizadas cerca de 24 Fr de diâmetro. Após discutir com o médico os benefícios e os riscos associados à colocação de uma sonda de PEG, o doente ou o seu responsável (quando o doente não tem capacidade) assina um consentimento informado que permite a realização da técnica. O procedimento tem uma duração aproximada de 30 minutos.

Como é realizado? 

O procedimento, realizado com sedação endovenosa, inicia-se com a realização de uma endoscopia digestiva alta (EDA), permitindo a visualização do tubo digestivo alto, a exclusão de lesões que contraindiquem a colocação da PEG, a visualização do local mais correto para o posicionamento da sonda de PEG e o controlo direto da sua colocação. 

O procedimento é habitualmente efetuado por 2 médicos, em que um deles realiza a EDA e o outro fica responsável pela técnica não endoscópica a nível da parede abdominal. 

Preparação para o exame 

Jejum de 6 horas para alimentos sólidos e líquidos. Se o exame se realizar da parte da tarde, pode tomar um chá, acompanhado de 2 a 3 bolachas, até 6 horas antes do exame. 

Notas importantes 

Deve ter em consideração os seguintes pontos: 

  • Suspender a toma de antiagregantes e anticoagulantes (por exemplo, a varfarina) alguns dias antes do exame, de acordo com a orientação do médico assistente; 
  • Informar o médico de toda a medicação que está a tomar e de eventuais alergias a medicamentos. 
  • No caso de surgirem complicações durante o exame pode ser necessário internamento para tratamento e vigilância. 
  • É fundamental que o doente venha acompanhado pela pessoa que lhe vai ajudar no manuseio da sonda da PEG e que deverá também auxiliar o doente no regresso a casa. 

Após o exame 

Após a execução do exame é necessário um período de repouso e vigilância (recobro). Devido ao ar introduzido durante a endoscopia digestiva alta e à incisão cutânea necessária para a realização da PEG, pode sentir um ligeiro desconforto abdominal que vai melhorando progressivamente. Após o exame será prestado um ensino sobre o manuseio da sonda de PEG. Será também entregue um folheto com informação sobre a alimentação e cuidados com a PEG.  

Riscos e complicações 

Os principais riscos e complicação da PEG são as seguintes: reações adversas à sedação (complicações cardiopulmonares); reações alérgicas ao antibiótico ou aos sedativos; infeção do estoma (local de inserção da sonda na parede abdominal); dor abdominal peri-estoma; pneumoperitoneu (ar na cavidade abdominal; na maioria dos casos sem qualquer gravidade e com resolução espontânea); hemorragia; “buried bumper syndrome” (imersão do botão interno da PEG na mucosa gástrica); herniação gástrica através do estoma da PEG; fasceíte necrotizante (infeção grave da parede abdominal); perfuração de ansa intestinal aquando da colocação da PEG; peritonite (infeção intra-abdominal); saída de conteúdo gástrico peri-estoma; obstrução/Deslocação do tubo da PEG; ulceração gástrica; refluxo gastro-esofágico; pneumonia de aspiração; disseminação tumoral no trajeto da PEG; gastroparésia transitória ou ileus (parésia intestinal); fístula colocutânea. Como em todos os atos médicos interventivos há um risco de mortalidade, embora reduzido (0,5% a 1%). 

Após a realização da PEG, o doente e/ou o seu cuidador deverá estar atento a alguns sinais que podem indicar o desenvolvimento de uma complicação, nomeadamente: febre, dor torácica, dificuldade respiratória, fezes negras ou com sangue, dor abdominal intensa e persistente, vómitos, distensão abdominal (“barriga inchada”) e paragem de emissão de fezes e gases. Nestas circunstâncias o doente e/u o seu cuidador deverá contactar o seu médico, o Serviço de Gastrenterologia ou o Serviço de Urgência deste hospital. 

Informação elaborada pelo Serviço de Gastrenterologia do Hospital de Braga

FI.GASTRO.058