A Deficiência representa qualquer perda ou alteração de uma estrutura ou de uma função psicológica, fisiológica ou anatómica, de carácter temporário ou permanente, dividindo-se em psíquica, sensorial (auditiva, visual), física e mista. 

Já a inclusão é o conjunto de práticas que visa eliminar as desigualdades impeditivas da participação plena do cidadão na sociedade, tornando-a mais justa e igualitária. É importante garantir direitos de acessibilidade, representatividade e igual oportunidade de participar em diferentes contextos como educação, mercado de trabalho, cultura ou até lazer.  

Em pleno século XXI, Era de tanta evolução, pode parecer estranho, mas ainda existe a necessidade de abordar o tema da inclusão da pessoa com deficiência para garantir que todas as pessoas, independentemente das suas limitações, possam participar de forma plena. Este é um processo contínuo que requer a colaboração e envolvência de todos os setores. 

Não basta ter uma rampa de acesso se ainda há um preconceito por parte de amigos/familiares em relação à capacidade de uma pessoa com deficiência motora participar num evento e esta se vê impedida de o fazer. 

Pense-se, ainda, numa criança com deficiência que está integrada, como suposto, numa turma de ensino regular, mas não consegue brincar de igual forma com os colegas nos recreios. Situações destas acontecem com uma regularidade incalculável.  

A sociedade apresenta inúmeras barreiras que só são percecionadas pelas pessoas com deficiência ou pelos seus cuidadores. Para o erradicar existem medidas governamentais transversais que capacitam a sociedade para a inclusão da pessoa nas várias dimensões, como por exemplo, adaptação de espaços públicos ou privados, na educação o apoio pedagógico, adaptações curriculares ou capacitação dos profissionais para as necessidades das pessoas com deficiência, no trabalho a promoção de políticas facilitadoras, adaptação dos contextos ou sensibilização para a criação de um ambiente respeitoso.

Além de todas as medidas institucionais e governamentais já existentes, o cidadão em particular precisa de ter em papel mais ativo na promoção da inclusão. Através de pequenos gestos como o sensibilizar as nossas crianças para a importância de adaptar o brincar para que todos possam participar, o ceder voluntariamente o lugar à pessoa com mobilidade reduzida, o dizer bom dia e perguntar àquela vizinha se precisa de ajuda para levar as compras, estes e outros tantos gestos simples a que todos fomos habituados pelos nossos pais, farão a diferença no dia a dia na inclusão das pessoas com deficiência. 

Assim, socialmente é importante combater estereótipos e promover uma consciencialização desde tenra infância para que a inclusão aconteça nas diversas formas e como um ato espontâneo. O ideal seria a sociedade estar alinhada e sensibilizada para todas as diferenças de modo que não fossem perceptíveis e sim parte integrante da mesma sem qualquer barreira. Falar sobre deficiência e inclusão requer uma reflexão profunda em cada um de nós, o caminho é longo e sinuoso existindo ainda um fosso entre o esperado e o praticado.  

“Não são as nossas diferenças que nos dividem. É a nossa incapacidade de reconhecer, aceitar e celebrar essas diferenças.” – Audre Lorde. 

Ricardina Barros

Terapeuta da ULS Braga