A doença arterial periférica, vulgarmente chamada de má circulação, é um problema circulatório comum em que a obstrução das artérias provoca redução do fluxo sanguíneo nos seus membros inferiores. Como as suas extremidades – geralmente os pés – não recebem fluxo sanguíneo suficiente para as suas necessidades, surgem sintomas.
Saiba porque aparece esta doença, como se manifesta e como se trata.
Porque aparece?
A doença arterial periférica é, provavelmente, resultado de acumulação generalizada de substâncias nas suas artérias (aterosclerose), normalmente devido a tabagismo, diabetes, hipertensão, dislipidemia, obesidade e sedentarismo. Não é exclusiva dos membros inferiores, mas sim alargada a todo o organismo, e pode também provocar redução do fluxo de sangue no coração e no cérebro (entre outros órgãos).
Como se manifesta?
Aproximadamente 50% dos indivíduos com doença arterial periférica não apresenta nenhum sintoma. 30 a 50% desenvolvem queixas clínicas.
A claudicação intermitente (geralmente primeiro sintoma) é caracterizada por dor muscular nas pernas, provocada pela marcha mas que desaparece após alguns minutos de descanso. A dor dos gémeos (“barriga da perna”) é a mais comum. Numa fase mais avançada, surge dor em repouso, sobretudo durante a noite, que alivia com a perna pendente, de fora da cama. Quando a circulação está muito comprometida, aparecem feridas que não cicatrizam, muito dolorosas.
Quando recorrer ao cirurgião vascular?
Todos os doentes com alto risco de doença aterosclerótica (idade superior a 55 anos ou com os fatores de risco acima descritos) devem efetuar rastreio permitindo diagnosticar doenças silenciosas e prevenir o seu agravamento.
O diagnóstico precoce e o tratamento de doença arterial periférica são importantes não só para preservar a saúde de seus membros, como também para diminuir o risco de doença cardíaca, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e outros problemas de saúde.
Como se trata?
O tratamento da doença arterial periférica tem dois objetivos principais:
- o primeiro é controlar os sintomas, tal como a dor, de modo a que possa recomeçar as atividades diárias sem limitações;
- o segundo é parar a progressão da aterosclerose generalizada que afeta todo o seu corpo, de forma a reduzir o seu risco cardíaco e de aparecimento de AVC.
O primeiro passo é a mudança do estilo de vida. Se for fumador, parar é a atitude mais importante que pode ser tomada para reduzir a progressão da doença e o risco de complicações.
Caso não seja suficiente, o seu médico pode prescrever medicação específica e aconselhar um programa de treino com exercícios para aumentar a distância que pode andar sem dor.
Nas fases mais adiantadas da doença, quando limita significativamente a qualidade de vida, pode estar indicado o tratamento cirúrgico, quer por cirurgia clássica, quer por cateterismo. O tempo de internamento é de cerca de 8 dias e os pontos de sutura ou agrafos serão removidos cerca de uma semana após a intervenção. É necessário manter uma avaliação clínica a longo prazo.
Para além das complicações inerentes a qualquer intervenção cirúrgica ou anestésica do foro vascular, as complicações ligadas a este procedimento são as hemorragias e a trombose do canal utilizado para efetuar o by-pass.
Qual o ganho com o tratamento cirúrgico?
Quando o doente é proposto tratamento cirúrgico, já a situação clínica é suficientemente grave para colocar em risco a viabilidade do membro afetado ou mesmo a vida do doente. Assim, se não se efetuar um procedimento que melhore a circulação comprometida, existe um risco real de amputação a curto prazo.
Portanto, o tratamento cirúrgico tem como objetivo salvar o membro de ser amputado.