A pneumonia é uma inflamação aguda do parênquima pulmonar provocada mais frequentemente por uma infeção bacteriana e/ou vírica. É a segunda causa mais comum de hospitalização e a causa infeciosa mais comum de morte, associando-se a elevada morbilidade e mortalidade em todo o mundo.  

A apresentação clínica e a gravidade da pneumonia são variáveis. Habitualmente, a pneumonia manifesta-se por febre, tosse, expetoração (de cor amarelada e/ou esverdeada) e dor no tórax (que agrava com a inspiração profunda). Não obstante, nos idosos pode manifestar-se com sintomas menos específicos e, em situações mais graves, pode associar-se a dificuldade respiratória e sépsis.  

Inúmeras bactérias podem causar pneumonia, sendo a Streptococcus pneumoniae (pneumococos) a mais comum. São fatores de risco para pneumonia: idade avançada; doenças crónicas (ex: respiratórias, cardíacas, renais, neoplasias, imunodeficiências, entre outras); infeções víricas (ex: infeção pelo vírus da gripe); condições que se associam a menor capacidade de tossir e/ou expelir secreções; consumo excessivo de álcool, tabagismo e uso de drogas; alguns fatores sociais como residir em prisões/abrigos/lares e frequentar/trabalhar em instituições de saúde.  

O diagnóstico é realizado com base em sintomas, sinais clínicos e achados na radiografia torácica. No entanto, a radiografia de tórax não é obrigatória, nomeadamente perante a suspeita de pneumonia sem critérios de gravidade.  

O tratamento depende da etiologia mais provável e/ou identificada, dos fatores de risco e comorbilidades do doente e da gravidade da situação, mas na maioria dos casos deve incluir antibiótico. 

A prevenção é a melhor forma de reduzir o risco de pneumonia. Para tal é importante: 

  1. Vacinar-se (ex: vacinascontra infeções porStreptococcus pneumoniae, gripe e COVID-19); 
  2. Adotar estilos de vida saudáveis, como ter uma alimentação equilibrada, beber água, praticar exercício físico e respeitar os períodos de sono, de modo a favorecer uma boa imunidade;
  3. Evitar o consumo de substâncias prejudiciais como o tabaco, álcool ou outras drogas;
  4. Controlar as doenças crónicas, de forma a reduzir a necessidade de idas a instituições de cuidados de saúde e internamentos (frequentar hospitais aumenta o risco de pneumonias graves e por microrganismos mais resistentes aos antibióticos);
  5. Adotar a etiqueta respiratória (quando tossir ou espirrar, deve cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel ou com o braço);
  6. Minimizar o contacto com terceiros e resguardar-se caso tenha sintomassugestivos de infeção respiratória(de forma a diminuir o risco de agravar uma infeção respiratória simples e proteger quem o rodeia); 
  7. Lavar e/ou desinfetar as mãos frequentemente;
  8. Manter distanciamento físico e/ou usar máscara em locais com grande concentração de pessoas (onde não seja possível o distanciamento), assim como perantepessoas com evidência de infeção respiratória (ex: tosse, expetoração e febre); 
  9. Teruma boa higiene oral; 
  10. Evitar ambientes sobrepovoados ou poluídos e manter os espaços ventilados, preferencialmente através de ventilação natural, procedendo à abertura de portas e/ou janelas.

É possível diminuir o risco de pneumonia! 

Mariana Serino (Pneumologista ULS Braga) 

Joana Naia (Médica Interna de Pneumologia ULS Braga)  

Médica do Serviço de Pneumologia da ULS Braga e Médica Interna do Serviço de Pneumologia da ULS Braga, respetivamente