Amamentar ou alimentar um bebé com leite materno extraído é o melhor seguro de vida para mãe e bebé: em cada gota, viajam milhares de fatores imunitários e nutrientes especiais que nutrem e protegem o bebé em cada etapa da sua vida.
Ainda existem muitas dúvidas e mitos que envolvem este tema. Hoje, vamos explorar alguns deles para tornar esta jornada mais confiante, informada e leve.
Acho que tenho pouco leite. É comum que as mães se preocupem com a quantidade de leite que produzem, mas tente imaginar a mama como uma fábrica; se o bebé (cliente) sugar de forma eficaz ou houver um estímulo semelhante como uma bomba extratora, por exemplo, o leite (produto) será sempre produzido. Assim, quanto mais vezes o bebé mamar, mais leite as maravilhosas fábricas irão produzir, pois o estímulo da sucção é o grande motor desta produção. No entanto, a introdução de leite artificial ou chupeta numa altura muito precoce da vida do bebé pode reduzir as oportunidades que ele tem de ir à maminha e gradualmente poderá comprometer a produção. Assim, e principalmente nos primeiros meses de vida, é recomendável evitar chupetas e optar por extrair e oferecer o seu leite em caso de suplementação.
O meu leite é fraco porque o meu bebé quer mamar muitas vezes! Um bebé precisa de mamar cerca de 8 a 12 vezes por dia para garantir o seu desenvolvimento. Desafios como picos de crescimento, dentes a nascer ou pequenas indisposições podem levar o bebé a procurar mais vezes a mama mas isso não significa que o leite seja insuficiente nem nunca de baixa qualidade. Na verdade, a mama é a resposta para 99% destes desafios e a fome é apenas um deles! Além disso, a mama cheira a casa e na nossa casa sentimo-nos seguros, aconchegados e tranquilos. Por isso, lembre-se não é só fome mas sim uma necessidade física ou emocional.
Amamentar dói, é até ganhar calo. Quando o bebé concretiza uma pega eficaz, isto permite-lhe extrair todo o leite que precisa sem provocar dor na mãe. Se a dor persiste, procurar ajuda especializada nesta área poderá fazer toda a diferença. Amamentar não dói e há vários fatores a serem investigados.
O bebé tem de mamar 10 minutos em cada mama de 3h em 3h Antes de termos regras rígidas para os bebés, observemos o comportamento dele durante a mamada. O bebé mantém a boca bem aberta, o queixo encostado na mama, o nariz livre, com movimentos de sucção amplos e ritmados? A mãe não tem dor? Então, provavelmente está a mamar maravilhosamente. Se isto demora 10 ou 20 minutos pouco importa. O importante é observar estes sinais todos e no final terem um bebé tranquilo. Um indicador extra de sucesso é a troca de 6 a 8 fraldas com bons xixis por dia. Resumindo, olhem para o vosso bebé, não para o relógio.
A mama é um vício O desmame natural ocorre entre os 2 e os 7 anos, mas ainda há muitas pessoas que acham estranho uma criança mamar. O leite materno continua a fornecer fatores imunitários únicos, quantidades substanciais de proteínas, gordura e a maioria das vitaminas que a criança precisa para além do primeiro ano de vida. Por isso, não é um vício, mas sim uma necessidade emocional com um notório complemento imunológico que deve durar até quando ambos quiserem.
Estou a tomar um medicamento, não posso amamentar. Em caso de dúvida, consulte o www.e-lactancia.org e verifique a sua compatibilidade e/ou eventuais precauções que deva tomar.
Amamentar é uma dança a dois. Com informação correta e apoio adequado, é possível superar desafios e criar uma experiência bela para ambos.

Cláudia P. Gonçalves, Lara Navarro e Almerinda Pereira
Interna de Formação Específica de Pediatria, Interna de Formação Específica de Pediatria e Assistente Graduada Sénior de Pediatria

