Os cuidadores informais provavelmente nunca pensaram em assumir este papel, até ao momento em que se confrontaram com a situação. Talvez nunca tenham pensado em ter de renunciar a parte do seu tempo, para o dedicar ao Outro.

Cuidador informal é uma pessoa que sem retribuição financeira, fora do contexto profissional ou formal, cuida de outra, numa situação transitória ou definitiva, devido a doença crónica, deficiência e/ou dependência parcial ou total.

Erradamente associa-se os Cuidadores Informais a tomar conta de idosos. Mas na verdade, podemos ser chamados a sermos cuidadores em qualquer idade e para qualquer idade.

Cuidador Informal é a jovem de 24 anos, cheia de sonhos, próprios de quem começa uma vida profissional e de repente é mãe de uma criança com uma doença rara que a impede de a entregar aos cuidados de um infantário;

Cuidador informal é o filho de uns pais idosos que vão progressivamente necessitando de apoio nas atividades instrumentais de vida diária;

Cuidador informal é a esposa, cujo marido lhe foi diagnosticado um tumor e que está a fazer um tratamento de quimioterapia;

Cuidador informal é mãe de um filho que teve um acidente que o deixou com lesões medulares que limitam a sua capacidade de se cuidar;

Cuidador informal é o marido idoso, que cuida da companheira de uma vida, a quem as forças já faltam.

São estes alguns exemplos dos cuidadores. Tal como nos exemplos, a maioria dos cuidadores informais são mulheres, com laços familiares com a pessoa cuidada. Não existem dados oficiais, mas vários estudos indicam que em Portugal existem cerca de 827 mil cuidadores informais em Portugal e que a atividade das pessoas que cuidam valerá cerca de4 mil milhões de euros por ano.

Leonard Boff dizia que “Cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e envolvimento afetivo com o outro.”

O caminho tem de ser feito em dois vetores, de modo a garantir que esta transição aconteça de modo saudável: por um lado desenvolver estratégias para que o cuidador continue a ter vida própria saudável, para que cuide de si. Por outro lado, é preciso tempo para aprender a cuidar. Ninguém nasce ensinado. Ao nível dos cuidados formais, os enfermeiros são os profissionais de saúde responsáveis por ensinarem, instruírem e treinarem os Cuidadores Informais para que estes sejam capazes de desempenharem o papel de cuidadores. A intervenção de enfermagem estruturada e fundamentada em programas de intervenção ajustados e contextualizados representa uma mais-valia, não só para o cuidador informal mas também para a pessoa dependente.

Nesta perspetiva, o Hospital de Braga levou a cabo um projeto que tem como objetivo motivar e desenvolver competências nos cuidadores informais, para dar resposta a esta realidade e necessidade. Para isso o cuidador informal tem possibilidade de estar presente no internamento, em todo o período diurno e em alguns casos com pertinência adequada, poderá estar nas 24 horas, todos os dias da semana. É fomentada a sua participação na prestação de cuidados ao familiar sempre que possível, em colaboração e com supervisão de um profissional de saúde. Através deste projeto, o cuidador informal desenvolve competências para cuidar do seu familiar em casa. Foi ainda criada a linha do cuidador, para a qual o cuidador informal poderá ligar, caso lhe surjam duvidas após a alta.

Este projeto apresenta-se como dinamizador do processo de transição para o assumir de novos papéis com segurança e qualidade. Neste contexto, a nova Lei de Bases da Saúde parece que vai ficar aquém do esperado, não contemplando o estatuto do Cuidador Informal.

Elisabete Dias Pinheiro

Enfermeira-chefe do Serviço de Ortopedia da ULS Braga