A 14 de novembro assinala-se o Dia Mundial da Diabetes, uma data que convida à reflexão sobre uma das doenças crónicas mais prevalentes e desafiantes do nosso tempo. Em Portugal, estima-se que mais de um milhão de pessoas vivam com diabetes, das quais mais de 900 mil estão registadas nos Cuidados de Saúde Primários, sendo mais de 90% dos casos de diabetes tipo 2, uma forma da doença que, em grande parte dos casos, pode ser prevenida ou retardada com mudanças simples, mas consistentes, no estilo de vida. 

A diabetes tipo 2 desenvolve-se quando o organismo deixa de produzir ou utilizar eficazmente a insulina, a hormona responsável por controlar o açúcar no sangue. Este processo está frequentemente associado ao excesso de peso, sedentarismo, alimentação desequilibrada e ao envelhecimento. Contudo, também fatores genéticos e contextos socioeconómicos têm um papel relevante, tornando o desafio mais complexo e exigindo uma abordagem integrada. 

A prevenção é, por isso, o melhor tratamento. A evidência científica demonstra que uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, leguminosas, cereais integrais e pobre em açúcares e gorduras saturadas, pode reduzir significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2. A atividade física regular, pelo menos 150 minutos por semana, ajuda não só a controlar o peso, mas também a melhorar a sensibilidade à insulina e o bem-estar geral. Exemplos recomendados incluem caminhadas rápidas, corrida leve, ciclismo, natação ou aulas de dança e aeróbica. Pequenas mudanças, como caminhar diariamente, optar pelas escadas em vez do elevador ou reduzir o tempo sentado, fazem uma diferença real. 

A deteção precoce da diabetes depende de uma vigilância ativa da saúde, sobretudo em indivíduos com fatores de risco, como excesso de peso, hipertensão arterial, colesterol elevado ou história familiar da doença. A diabetes pode evoluir de forma silenciosa durante anos, sem sintomas evidentes, pelo que a realização periódica de exames de rotina, nomeadamente a determinação da glicemia em jejum, é fundamental. O diagnóstico precoce permite implementar medidas de controlo adequadas e reduzir o risco de complicações graves, incluindo doenças cardiovasculares, renais e alterações visuais. 

No caso das pessoas já diagnosticadas, o controlo rigoroso da doença é determinante. Cumprir o plano alimentar, seguir a medicação prescrita, praticar exercício e manter o acompanhamento regular com a equipa de saúde são pilares para uma boa gestão da diabetes. A educação para a saúde desempenha aqui um papel decisivo: compreender a doença é o primeiro passo para viver bem com ela. 

A diabetes tipo 2 não é apenas uma questão individual, mas um problema de saúde pública que exige o envolvimento de todos, cidadãos, profissionais de saúde, escolas, autarquias e empresas. Promover ambientes saudáveis, facilitar o acesso a alimentos frescos e incentivar estilos de vida ativos são investimentos com retorno direto na qualidade de vida e na sustentabilidade do sistema de saúde. 

Neste Dia Mundial da Diabetes, o apelo é claro: agir antes que a doença se instale. Cuidar da alimentação, manter-se ativo, vigiar a saúde e procurar apoio médico são atitudes simples que podem salvar vidas. A prevenção começa em cada um de nós e é, sem dúvida, a estratégia mais eficaz para travar a diabetes tipo 2. 

Filipa Macedo

Médica IFE de MGF da USF AmareSaúde da ULS Braga