A Diabetes Mellitus é uma doença em rápida expansão. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1995 existiam cerca de 118 milhões de diabéticos em todo o mundo e a Federação Internacional de Diabetes estima que em 2025 mais de 380 milhões de pessoas venham a sofrer da doença.

A Diabetes Mellitus caracteriza-se pelo aumento da glicose (açúcar) no sangue. Ocorre porque a insulina produzida pelo pâncreas, não existe ou é insuficiente ou é pouco eficaz. Atualmente, perto de 1 milhão de Portugueses sofre de diabetes. Após o seu diagnóstico é importante classificar qual o tipo de diabetes.

Existem vários tipos de diabetes, sendo que as mais conhecidas e frequentes são a diabetes tipo 1, tipo 2 e gestacional. A Diabetes tipo 1 representa cerca de 5-10% de todos os casos, pode ocorrer em qualquer idade, mas o diagnóstico é sobretudo em crianças e jovens. Este tipo de diabetes, apesar de menos frequente, é um desafio para médicos e doentes, uma vez que o pâncreas deixa de produzir insulina, o que implica um tratamento mais complexo com esquemas de insulina.

A Diabetes tipo 2 é a mais frequente, representa cerca de 90-95% de todos os casos de diabetes e ocorre sobretudo no adulto. Entre as suas causas estão fatores hereditários, vida sedentária e obesidade. Infelizmente, este tipo de diabetes está a surgir, cada vez mais, em idades mais jovens, devido a uma má alimentação e à obesidade.

A diabetes gestacional ocorre durante a gravidez e desaparece na maioria dos casos após o nascimento do bebé. Nestes casos, podemos considerar que a mulher grávida teve um aviso precoce, de uma grande possibilidade de vir a ter no futuro. Nestas situações é fundamental o bom controlo da glicemia durante a gravidez para evitar complicações na grávida e no bebé.

Os sintomas são:

  • sede intensa (polidipsia)
  • aumento de frequência urinaria (poliúria)
  • aumento do apetite (polifagia)
  • perda de peso
  • excesso de transpiração (hipersudorese)
  • cansaço (fadiga)
  • visão turva.

Todos estes sintomas desaparecerão assim que os níveis de glicose no sangue estiverem controlados. A maioria dos doentes não apresenta estes sintomas e tem o diagnóstico em análises de rotina.

A diabetes como doença crónica tem um grande impacto na saúde e quando não controlada, pode provocar complicações graves e irreversíveis em vários órgãos. É uma das principais causas de insuficiência renal, a primeira causa de cegueira e de amputações não traumáticas, provoca lesões neurológicas e é uma das principais causas de doença cardiovascular (acidentes vasculares cerebrais (AVC) e enfartes agudos do miocárdio).

O tratamento da diabetes depende fundamentalmente do doente. Um dos passos fundamentais na gestão da doença são as alterações do estilo de vida, de sublinhar que em muitos casos de Diabetes tipo 2 estas medidas conseguem controlar a doença.

É essencial que haja uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico (uma simples caminhada diária vai permitir a redução da glicose). O doente com Diabetes tipo1 necessita de terapêutica com insulina, com múltiplas administrações diárias desde o seu diagnóstico, enquanto o doente com Diabetes tipo 2, na maioria dos casos, inicia o seu tratamento com antidiabéticos orais (comprimidos) e pode ou não a vir a necessitar de insulina.

O tratamento da diabetes é exigente e complexo, requerendo a coresponsabilização do doente na gestão da sua doença. Um bom controlo pode prevenir as complicações crónicas da diabetes e assim contribuir para uma melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Conceição Mateus

Enfermeira do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Braga