A dor é a principal razão pela qual procuramos os cuidados de saúde.
Se compreendermos que a dor que se instala e perdura ao longo do tempo (a dor crónica) é uma doença e que tem consequências em todos os aspetos da nossa vida, então facilmente percebemos que se trata da doença mais prevalente em Portugal.
A dor crónica não é uma simples manifestação ou sintoma desagradável, mas antes um conjunto de sinais e sintomas que compõem uma doença e com implicações a nível das capacidades e funções do individuo. Depende da experiência e das emoções que vivemos ao longo da vida e daí ser subjetiva e pessoal. Dor é o que cada um de nós experimenta e que depois expressamos de forma mais ou menos emotiva, de acordo com o conhecimento e vivência de cada situação. Esta é a razão pela qual tratar a dor é difícil e depende de caso para caso.
No idoso a dor crónica é habitualmente o resultado de doenças que alteram as estruturas e funções do corpo humano. Este torna-se ao longo do tempo mais frágil e com menor capacidade de regeneração, estando mais vulnerável ao desenvolvimento de dor nos diferentes tecidos e órgãos do corpo, particularmente nos ossos e músculos que são a causa mais frequente de dor no individuo idoso. A dor gera incapacidade, isolamento social e depressão, conduzindo a um ciclo vicioso de dor e depressão que se torna um desafio enorme e difícil de superar!
Os dados conhecidos em Portugal parecem revelar que a prevalência da dor crónica nas mulheres é superior ao dos homens e sobretudo, em indivíduos com idades entre os 65 e os 74 anos. Ainda que nos idosos a dor crónica esteja muitas vezes associada ao processo degenerativo de envelhecimento, a presença de dor nunca deve ser encarada como “normal”.
A lombalgia ou dor de costas é a razão mais frequente de dor entre os portugueses, verificando-se sobretudo em idades mais avançadas, o que poderá estar relacionado com o sedentarismo, as más posturas ou a atividade física residual e muitas vezes realizada de forma incorreta.
Quando se tem dor, importa ser resiliente e enfrentar o dia-a-dia, o que implica ter algumas estratégias simples para ultrapassar as situações que nos são desfavoráveis. Ter cuidados com a postura e os movimentos que fazemos, fazer exercício físico diário adequado às nossas necessidades e uma dieta rica em nutrientes necessários para fortalecer ossos e músculos são alguns dos exemplos.
A dor crónica deve ser tratada, explorando todas as possibilidades terapêuticas, medicamentosas e não medicamentosas, incluindo a utilização de agentes físicos, técnicas de exercício e reabilitação ou estratégias de apoio e tratamento de fatores psicológicos e sociais que possam estar comprometidos.
Quanto ao doente, é crucial que não desvalorize a sua condição, pois a consciencialização é o primeiro passo para a prevenção da dor e para manter a melhor qualidade de vida possível.
A motivação para não desistir e enfrentar o dia a dia é a verdadeira chave do sucesso no tratamento da dor!