Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) carateriza-se por uma alteração súbita da circulação do sangue no cérebro. Se for por rutura de uma artéria trata-se de AVC hemorrágico, se for por oclusão da artéria é um AVC isquémico. Em qualquer dos casos, o tecido cerebral sofre ao não receber sangue oxigenado, originando lesões cerebrais definitivas.
No cérebro cada área é responsável por uma função: motora, comunicação, emoção, pensamento, visão, perceção entre outras. Passada a fase aguda do AVC, podem ficar as sequelas, nomeadamente alterações cognitivas, emocionais, sensoriais, da motricidade e da comunicação.
O plano de reabilitação é iniciado logo na fase precoce (após 24 horas), com a intervenção do enfermeiro especialista em reabilitação na Unidade AVC. Uma equipa multidisciplinar (médicos, enfermeiros, terapeutas) estabelece um plano em que o objetivo é permitir ao doente lidar e ultrapassar a sua incapacidade e tornar-se o mais independente possível.
Este plano abrange as vertentes da recuperação motora como a força e capacidade em deambular, recuperação da linguagem, capacidade de se exprimir e de articular palavras. Pode também surgir dificuldade em deglutir alimentos líquidos ou sólidos, podendo ser temporária ou permanente.
Relativamente à recuperação cognitiva e emocional pode ocorrer dificuldade em memorizar, em aprender e estar atento assim como sentir medo, ansiedade e tristeza. Estes sentimentos não devem ser desvalorizados, na medida em que a pessoa atravessa uma fase difícil com a perda de capacidades.
Ao nível sensorial pode aparecer diminuição ou aumento de sensibilidade em algumas partes do corpo.
Dependendo das sequelas causadas pelo AVC o doente pode precisar de alguma assistência ou pode ficar totalmente dependente de cuidadores para a realização de atividades de vida diária. Algumas alterações e adaptações serão necessárias para minimizar o impacto das alterações ocorridas, garantindo a segurança e independência da pessoa.
A prevenção de quedas é fundamental, pois como a parte motora ficou afetada é importante ter em consideração algumas alterações no dia-a-dia, nomeadamente utilizar antiderrapantes nos pisos escorregadios, usar calçado com sola antiderrapante retirar os tapetes ou fixa-los com antiderrapante. Onde existam degraus, instalar corrimões e fita antiderrapante no bordo do degrau ou fazer rampa.
Todas as divisões da casa devem ter iluminação adequada. A decoração deve ser reorganizada de forma facilitar a mobilidade. A casa de banho pode ser um desafio, contudo é muito facilitador instalar barras de apoio nas paredes do WC. Nesta fase de recuperação, devem evitar assentos muito baixos, utilizar mesas estáveis, sólidas e altas para comer ou escrever. Usar cadeiras com encosto e apoio para as mãos e os antebraços. A cama deve ter uma altura que permita que a pessoa se sente e mantenha os pés apoiados no chão. A cozinha deve ser reorganizada de forma a que as tarefas possam ser executadas numa cadeira confortável e os utensílios colocados a um nível acessível. Os móveis existentes podem ser adaptados, evitando assim aquisição de novos.
Durante todo o processo de reabilitação é de realçar que o envolvimento da família é fundamental. É um caminho cheio de desafios, pois o que antes se fazia de forma automática, hoje tudo parece ser um obstáculo.
A união entre doente, família e profissionais de saúde é a chave para a reintegração social, no próprio ambiente familiar e na comunidade.