O Terapeuta da Fala é o profissional de saúde responsável pela avaliação, diagnóstico e intervenção nas perturbações da fluência. A gaguez é uma perturbação específica na fluência do discurso que é acompanhada por sentimentos de perda de controlo. Este distúrbio da fluência interfere no desempenho académico, profissional e/ou social.
Atualmente sabe-se que a gaguez tem uma etiologia multifatorial, uma vez que a par de uma predisposição genética, existem também fatores neurofisiológicos, ambientais e/ou de personalidade.
Existem alguns fatores de risco para a gaguez, nomeadamente, antecedentes familiares; surgimento após os quatro anos; duração superior a seis meses; género masculino (proporção de quatro rapazes para uma rapariga) e questões linguísticas. Relativamente à incidência desta perturbação, estatísticas norte-americanas referem que a gaguez afeta 1% da população mundial.
Geralmente observam-se características como repetições de sons, sílabas ou palavras; bloqueios; prolongamentos; tensão muscular e comportamentos secundários – movimentos da face e/ou movimentos do corpo. Contudo, há características não observáveis que devemos ter em conta, tais como, frustração, vergonha e medo, afetando o indivíduo nos diferentes contextos da sua vida.
“O meu filho começou a gaguejar. E agora?” Esta é uma preocupação muito comum num determinado período do desenvolvimento da criança. Algumas crianças passam por um período de disfluência considerada normal. A disfluência transitória (ou desenvolvimental) ocorre mais frequentemente entre os dois e os quatro anos e coincide com um desenvolvimento exponencial da linguagem.
Neste caso, as crianças tendem a fazer repetições e hesitações sem ser observado esforço físico e tensão a nível da face e do corpo. Porém, a disfluência transitória poderá evoluir para gaguez crónica se estes episódios perdurarem num período superior a seis meses e, principalmente, se a criança ganhar consciência da sua disfluência, produzindo sentimentos de ansiedade, frustração e medo.
Se o seu filho começou a gaguejar é importante utilizar algumas estratégias para facilitar a comunicação e evitar o agravamento do quadro. Como principal estratégia deverá procurar reagir e responder ao discurso disfluente do seu filho do mesmo modo que responderia a um discurso fluente.
Poderá também utilizar outros facilitadores, tais como, expressões faciais e linguagem corporal para transmitir à criança que está atenta ao conteúdo da mensagem e não à forma como está a falar; ouvir pacientemente até que a criança termine de falar enquanto mantém o contacto ocular; falar tranquilamente e realizar pausas frequentes; dar o exemplo utilizando um discurso descontraído ao invés de usar expressões como “fala mais devagar”; reduzir o número de perguntas; reservar alguns minutos por dia para dar toda a sua atenção à criança, procurando aumentar os momentos em que transmite que ela tem tempo para falar e promover a autoconfiança da criança.
Disfluência transitória ou gaguez?
Quanto mais tempo uma criança permanece com características de gaguez e quanto mais tarde estas surgem, menor é a probabilidade de as mesmas desaparecerem e pior é o prognóstico.
Se tem dúvidas, peça uma avaliação junto de um Terapeuta da Fala. Quanto mais precoce for o início da intervenção, maior será a probabilidade de sucesso.
Para além da intervenção em crianças, o Terapeuta da Fala também intervém com adolescentes e adultos, ajudando na gestão da gaguez em situações de âmbito escolar, profissional e/ou social.