Vivemos tempos desafiantes!  

O aumento da procura aos cuidados de saúde nesta altura do ano é, por si só expectável, estando naturalmente associada ao aumento das infeções respiratórias. Está provado e é de conhecimento geral que a associação entre temperaturas mais baixas e maior circulação de pessoas, potencia desde logo o aumento destes quadros clínicos respiratórios nesta estação do ano. De salientar que, na sua esmagadora maioria, estes quadros respiratórios são de causa vírica, e totalmente auto-limitados, com resolução nos primeiros 5 dias, apenas com necessidade de tratamento sintomático! É importante desde já esclarecer que o tratamento sintomático destas infeções víricas não inclui a utilização de antibiótico, sendo este de utilização exclusiva para combater infeções bacterianas. 

Neste seguimento, o recurso aos serviços de saúde, nomeadamente serviço de urgência, deverá seguir critérios de gravidade rigorosos, de forma a não esgotar, de forma prematura, a resposta aos doentes que efetivamente necessitam de cuidados diferenciados. 

Neste sentido, é extremamente importante que cada pessoa consiga reconhecer os principais sinais de gravidade da sua situação clínica. A procura pouco criteriosa dos serviços de saúde, nomeadamente do serviço de urgência, provoca uma sobrecarga sobre os profissionais e acima de tudo sobre os doentes com gravidade clínica demonstrada, levando a tempos de espera prolongados e desmesurados, culminando no desgaste permanente do próprio serviço. 

Assim, será desde logo importante promover a acessibilidade efetiva dos doentes graves ao serviço de urgência, nomeadamente aos que apresentam sinais de dificuldade respiratória e/ou descompensação de doenças crónicas. Nos casos de sintomatologia ligeira, como tosse, febre que cede ao anti-pirético, “pingo no nariz/mucosidade nasal” e dor de cabeça, será fundamental recorrer inicialmente ao tratamento sintomático. Em caso de necessidade de esclarecimento adicional deverá ligar para a linha gratuita SNS 24 de forma a conseguir esclarecer alguma dúvida; posteriormente, e se se mantiver a sintomatologia de forma mais prolongada, apesar de ligeira, poderá ser necessário recorrer aos Cuidados de Saúde Primários/Equipa de Saúde Familiar (Médico e/ou Enfermeiro de Família), para um acompanhamento de proximidade.  

A responsabilidade de uma utilização assertiva dos serviços de saúde, em cada nível de cuidados (centro de saúde ou serviço de urgência) é de cada utente, de cada pessoa, de cada cidadão. Uma procura hoje pouco criteriosa pode levar a um tempo de espera amanhã completamente desmesurado para uma necessidade efetiva de cuidados diferenciadores. 

Sejamos responsáveis, pela promoção da equidade na acessibilidade aos cuidados de saúde diferenciados. Sejamos diferenciadores, na escolha do nível de cuidados que entendemos ser necessário. Sejamos prudentes, de forma a proteger os nossos profissionais de saúde e, acima de tudo, proteger os nossos doentes. Sejamos, acima de tudo, respeitadores pelas necessidades individuais dos cuidados de saúde. Reconhecer gravidade e critério é fundamental para que o serviço de urgência consiga responder a todas as necessidades da população que assim o exijam. 

Aldara Braga

Diretora Clínica para a área dos Cuidados Saúde Primários da ULS Braga