A exposição solar acumulada ao longo da vida é uma das principais responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele e pelo desenvolvimento de vários tipos de cancro de pele. A radiação ultravioleta (UV) emitida pelo sol danifica de forma silenciosa o ADN das células da pele, contribuindo para a formação de rugas, manchas, perda de elasticidade e, em casos mais graves, lesões malignas, como o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma maligno. A radiação solar não está apenas presente nos dias de sol ou na praia: mesmo em dias nublados e durante atividades diárias em espaços interiores, a pele está exposta aos efeitos nocivos da radiação. Neste contexto, a proteção solar é uma medida essencial de saúde pública e deve fazer parte da rotina diária de cuidados com a pele, sem exceções. 

A escolha do protetor solar 

Idealmente, deve optar-se por um protetor solar com fator de proteção solar (SPF) 50 ou superior. O SPF indica o grau de proteção contra os raios UVB, responsáveis pelas queimaduras solares e por grande parte do risco carcinogénico. Contudo, é igualmente importante garantir que o produto oferece proteção eficaz contra a radiação UVA. A radiação UVA também aumenta o risco de cancro da pele e está implicada no envelhecimento da pele, penetrando mais profundamente na pele e sendo capaz de atravessar vidros e janelas. Em Portugal e na Europa, a proteção contra a radiação UVA está assinalada no rótulo com a sigla “UVA” ou com a designação “largo espectro”. Os protetores solares com cor são também uma excelente opção, com proteção reforçada contra a luz visível, uma vez que contém pigmentos que atuam como barreira física contra este tipo de radiação (que pode desencadear ou agravar doenças como o melasma, manchas solares e outras formas de hiperpigmentação).  

Como aplicar corretamente 

A eficácia do protetor depende também da forma como é utilizado. Para o rosto e pescoço, recomenda-se aplicar uma quantidade equivalente a dois dedos de protetor solar — ou seja, o produto deve ocupar o comprimento de dois dedos (indicador e médio) na palma da mão; para o corpo, aproximadamente 30 mL (o equivalente a uma chávena de café). Após a aplicação, o protetor começa a perder eficácia com o tempo, estando recomendada a reaplicação a cada duas horas. Esta regra é particularmente importante durante uma exposição solar prolongada— como na praia, piscina, ou atividades ao ar livre. O protetor deve também ser reaplicado sempre que houver contacto com água ou transpiração intensa (mesmo que a embalagem referira resistência à água ou suor).  

Outras medidas de fotoproteção 

A proteção solar vai muito além do uso de protetor. Para maximizar a proteção, é importante evitar a exposição nas horas de maior intensidade solar (entre as 11h e as 16h), procurar zonas de sombra, utilizar chapéus, óculos de sol com filtros UV e roupa adequada, sobretudo com tecidos densos ou de proteção específica. 

 

O sol é essencial à vida, mas os seus efeitos na pele exigem respeito e precaução. A adoção diária de medidas de fotoproteção é uma escolha consciente, que previne doenças graves e preserva a saúde e juventude da pele.

Carlos Nogueira  

Médico no Serviço de Dermatovenereologia da ULS Braga