O Soalho pélvico constitui o chão da pelve tendo uma função de suporte da bexiga, útero e reto. A sua disfunção, pode traduzir-se por problemas de incontinência, prolapso de órgãos pélvicos, dificuldade a urinar ou defecar e dor pélvica crónica.

Constitui um importante problema de saúde pública, que se estima atingir cerca de ¼ da população, tendo uma evolução crónica de causa multifatorial, influenciada por fatores de ordem cultural, comportamental, neuronal e biomecânica, e cuja abordagem deverá ser funcional e multifatorial incidindo ao longo da vida, na melhoria da educação, informação e controlo dos vários fatores de risco de disfunção.

O tipo de parto e gravidez, são considerados os principais fatores de risco, pelo que todas as mulheres deverão reforçar estes músculos durante a gravidez e pós-parto. A idade, raça, multiparidade, histerectomia, asma, bronquite crónica, diabetes, obesidade, lesão medular, tabagismo, história familiar e genética, são outras situações também associadas.  

O seu tratamento passa por alteração do estilo de vida, da dieta, ingestão de líquidos, redução de peso, controlo da obstipação e manuseamento de cargas, associado a reforço dos músculos do soalho pélvico. Estes exercícios permitem melhorar a sua força, velocidade, endurance e elasticidade muscular, a sua espessura, firmeza e função de suporte dos órgãos pélvicos, e podem ser feitos no domicílio após identificação da contração correta pelo seu medico assistente.

Quando esta contração não é eficaz e existem sintomas de disfunção, é necessária a orientação para unidades especializadas de reabilitação do soalho pélvico nas quais o treino é feito com supervisão e associado, sempre que necessário, a equipamento adjuvante como o biofeedback e electroestimulação funcional. O tempo de tratamento é no mínimo de 3 meses, e a taxa de sucesso de 50 a 70% 

O Hospital de Braga dispõe de uma área do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação destinada à reabilitação do pavimento pélvico. Esta dispõe de Serviço de Consulta Uroginecológica à qual recorrem doentes com vários distúrbios de controlo da função urinária e defecatória e Consulta Multidiscipinar de Soalho Pélvico, formada pelas especialidades de Medicina Física e de Reabilitação, Ginecologia, Cirurgia Geral e Gastroenterologia, onde são discutidas situações de elevada complexidade antes de abordagens mais invasivas. A área terapêutica dispõe de fisioterapeutas com diferenciação nesta área e áreas específicas para tratamento individual e em classe. 

No entanto, mais do que o seu tratamento a sua prevenção constitui a chave deste problema, de forma a impedir alterações irreversíveis de disfunção.  

Todas as mulheres na peri-menopausa, com mais de 65 anos, pré e pós cirurgia ginecológica, com prolapsos G1 /2, IMC > 30, uso de cargas repetitivas, deverão procurar avaliar a função desses músculos, e trabalhá-los . 

Idealmente o seu treino muscular deveria ser integrado nos vários programas de desporto escolar, desde as idades mais jovens, preparando a mulher para todas as agressões a que irão estar sujeitos ao longo da sua vida. 

Manuela Mira Coelho

Médica do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação da ULS Braga