Outubro é o mês Internacional da Prevenção do Cancro da Mama, um mês conhecido como “Outubro Rosa”, durante o qual se promovem várias iniciativas com o objetivo de alertar e sensibilizar a população a ter um papel ativo na prevenção e diagnóstico precoce desta doença.

Em Portugal, de acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, temos 6000 novos casos por ano e uma média de 1500 mortes anuais por cancro da mama. O cancro da mama é a primeira causa de mortalidade na população feminina entre os 35 e os 50 anos. Uma em cada oito mulheres vem a ser diagnosticada com cancro da mama.

O cancro da mama é de causa genética ou associado a agregações familiares em 10-15% dos casos. Isto quer dizer que 85% dos casos são ocasionais o que significa que, independentemente da história familiar, qualquer mulher pode vir a ser afetada.

Dois terços do cancro da mama são pós-menopausa – a grande maioria das mulheres são atingidas depois dos 50 anos. Assim, o ser mulher e a idade são dois dos principais riscos para cancro da mama, que como é óbvio, não podemos modificar.

Outros fatores de risco dificilmente modificáveis têm a ver com uma menarca precoce, idade da primeira gestação a termo, tipo de ciclo menstrual, menopausa tardia, sobre as quais também dificilmente podemos atuar.

Mas procurar manter hábitos de vida saudáveis, dieta, exercício físico, baixo consumo de bebidas alcoólicas são medidas preventivas quer de um primeiro cancro da mama, quer da recidiva ou mesmo um segundo cancro e que estão ao alcance de todos.

Adote estilos de vida saudáveis: a adesão a uma dieta de tipo mediterrânica pode diminuir o rico de cancro de mama na ordem dos 50%. O exercício físico pode reduzir o risco entre 10 a 15%. A obesidade, o fumo ativo e o consumo regular de álcool agravam o risco de cancro de mama até 40%, em relação à população em geral;

Faça o rastreio: o foco está na prevenção secundária, ou seja, no rastreio do cancro da mama. A mamografia com regularidade, anual ou de dois em dois anos, a partir dos 40 anos, independentemente da idade reduz a mortalidade por cancro da mama entre 20 a 30%. O objetivo é detetar o cancro nos seus estádios iniciais, com uma maior probabilidade de cirurgia conservadora (sem necessidade de fazer mastectomia ou esvaziamento axilar), tratamentos menos agressivos (menos duração  da quimioterapia, tratamento hormonal) e maiores sobrevidas.

Visite o seu médico: é importante a adesão a uma visita clínica anual, tendo a oportunidade não só de fazer o exame clínico da mama, como fazer o rastreio de outros cancros, potencialmente evitáveis, como seja o cancro do colo do útero.

Faça o autoexame da mama: o autoexame da mama que, durante muitos anos foi aconselhado com um dos pilares do diagnóstico precoce, foi descartado como exame de rastreio uma vez que a sua eficácia não está demonstrada. Contudo continua a ser recomendado, nas mulheres que se sintam confortáveis a realizá-lo, como meio de autoconhecimento e alerta. Sensivelmente metade dos cancros da mama são diagnosticados por sinal ou sintoma referido pela mulher.

Se sentir nódulos na mama, dismorfias no contorno mamário, retração ou escorrência mamilar com sangue, dor localizada e persistente, nódulos axilares mais volumosos não deve hesitar em dirigir-se ao seu médico e iniciar estudo clínico e imagiológico, conforme indicado pelo seu médico.

Mantenha-se atenta aos sinais e sintomas do cancro da mama e faça os exames de rastreio quando indicados pelo seu médico assistente.

Arlindo Ferreira

Médico do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Braga