As infeções respiratórias são muito frequentes e representam uma importante causa de morbilidade e mortalidade, assim como de sobrecarga para os serviços de saúde, sobretudo nos meses mais frios do ano. Estas resultam da capacidade de um microrganismo (vírus, bactéria ou, menos frequentemente, fungo ou parasita) atingir e ultrapassar as “barreiras de defesa” de ≥1 parte(s) do sistema respiratório superior (ex: nariz, faringe, laringe) e/ou inferior (ex: brônquios, pulmão), comprometendo a sua normal função.   

Os sintomas e a gravidade das infeções respiratórias dependem de vários fatores, nomeadamente da parte do sistema respiratório afetada, da patogenicidade do microrganismo e da vulnerabilidade da pessoa. Idosos, crianças pequenas, grávidas e pessoas com doenças crónicas (ex: respiratórias, cardíacas, renais, neoplasias, imunodeficiências) têm maior risco de desenvolver infeções graves e complicações.   

As infeções respiratórias englobam um amplo espetro de doenças, das quais destacamos a gripe, a COVID-19 e a pneumonia.  

A gripe e a COVID-19 são infeções causadas por vírus, o vírus influenza e o vírus SARS-CoV-2, respetivamente. A rinorreia (“pingo” no nariz), dor de garganta e/ou de cabeça, tosse, febre e mal-estar são sintomas comuns de ambas. Na maioria dos casos, a evolução é benigna e o tratamento consiste no controlo dos sintomas; contudo, estas podem associar-se a doença grave, complicações (ex: pneumonia), necessidade de hospitalização, morbilidade e mortalidade, sobretudo nos grupos de risco. Salienta-se que, na ausência de sobreinfeção bacteriana, não há indicação para antibiótico nas infeções causadas por vírus!  

A pneumonia é uma inflamação do parênquima pulmonar provocada, mais frequentemente, por uma bactérias e/ou vírus. A apresentação clínica e a gravidade da pneumonia são variáveis. Febre, tosse, expetoração (de cor amarela e/ou verde) e dor no tórax (que agrava com a inspiração) são sintomas comuns, mas nos idosos e crianças pequenas, os sintomas podem ser menos específicos e, em situações graves, pode haver dificuldade respiratória e compromisso de outros órgãos. O tratamento depende do agente infecioso mais provável e/ou identificado, da gravidade da situação, dos fatores de risco e das comorbilidades do doente.  Frequentemente, é necessário antibiótico.  

A prevenção é a melhor forma de reduzir o risco de infeções respiratórias.   

Para tal, é importante adoptar um estilo de vida saudável, evitar substâncias prejudiciais como o tabaco/álcool/outras drogas, ter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico, controlar as doenças crónicas e vacinar-se (ex: vacinas contra infeções por Streptococcus pneumoniae, gripe e COVID-19). A vacinação é fundamental na defesa contra as infeções respiratórias, apresentando uma elevada proteção na redução de doença grave, hospitalização e morte, sobretudo nos grupos de maior risco.   

É, ainda, importante adoptar comportamentos que minimizem o risco da transmissão das infeções como: lavar e/ou desinfetar as mãos com frequência, arejar e/ou ventilar os locais, manter o distanciamento físico e/ou usar máscara em locais com aglomerados de pessoas, reduzir o contato com terceiros e resguardar-se caso tenha sintomas sugestivos de infeção respiratória (de forma a diminuir o risco de agravar uma infeção respiratória simples e proteger quem o rodeia).

Mariana Barbosa e Marta Silva

Médicas do Serviço de Pneumologia da ULS Braga