No dia 24 de Julho, assinalamos o Dia Internacional do Autocuidado, uma data que nos interpela a uma reflexão profunda e, mais importante ainda, à necessidade de agir. É um convite urgente à reavaliação das nossas rotinas e à valorização de hábitos que promovam a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida.
O autocuidado é definido como o conjunto de atitudes e práticas que cada indivíduo adota para promover, manter e melhorar a sua própria saúde em cada uma das suas dimensões: física, mental, social, emocional e espiritual, prevenindo a doença. Implica uma atenção consciente e deliberada às nossas necessidades e limites intrínsecos, visando o equilíbrio e o bem-estar. Este conceito engloba um leque de práticas que, embora aparentemente simples, são pilares inegociáveis: desde uma alimentação equilibrada, passando pelo sono reparador e pela atividade física regular, até à higiene pessoal, à gestão do stress e à imprescindível vigilância da saúde através dos serviços de saúde. É, portanto, um processo ativo, voluntário e intencional que envolve a auto-reflexão e tomada de decisão. O autocuidado é, no fundo, a primeira linha de atuação na prevenção da doença.
É lamentável que a real importância do autocuidado se torne, com frequência, patente apenas quando a doença já se instalou. A verdade é que estamos inseridos numa sociedade naturalmente acelerada, vivendo muitas vezes num ritmo frenético, negligenciando o descanso e, ironicamente, glorificando o excesso de trabalho e a exaustão. Quantas vezes ouvimos o desabafo “não tive tempo para cuidar de mim” ou a autoilusão “pensei que nunca me aconteceria”? Estas narrativas servem como um alerta vermelho. É imperativo que, enquanto sociedade, priorizemos a educação para a saúde, incentivando cada cidadão a ser protagonista no seu processo de saúde. Afinal, a saúde não se edifica apenas em hospitais, a sua construção inicia-se em casa, nas escolhas diárias e nos pequenos, mas significativos, gestos de atenção consigo mesmo.
É perentório desmistificar a ideia de que cuidar de si mesmo é um ato de egoísmo ou um desperdício de tempo. Pelo contrário, o autocuidado tem uma dimensão coletiva assente na responsabilidade: responsabilidade para com o nosso próprio corpo e mente, para com a família que depende da nossa vitalidade e bem-estar, e para com a sociedade que beneficia da nossa contribuição ativa e saudável. As pessoas que atendem ao autocuidado refletem uma melhor qualidade de vida, evidenciam uma menor incidência de doenças e exercem uma maior autonomia sobre a sua saúde. Ora, se ao cuidarmos de nós numa perspectiva holística melhoramos a nossa qualidade de vida, também tenderemos a apresentar índices mais reduzidos de absentismo, fomentando uma força de trabalho mais robusta e produtiva.
Neste Dia Internacional do Autocuidado, lanço um convite irrecusável: que possamos dedicar a nós mesmos um olhar mais gentil e comprometido. Cuidar de nós não é um luxo, nem um privilégio egoísta. É, acima de tudo, um ato de amor próprio que se projeta, num efeito dominó, para a nossa família, o nosso ambiente de trabalho e para toda a comunidade.

Marta Oliveira
Enfermeira da ULS Braga

