Uma alergia consiste numa resposta exagerada, de um sistema imunitário suscetível exposto a substâncias, denominadas alergénios, presentes no meio ambiente. Podem afetar vários órgãos como as vias respiratórias, os olhos, a pele ou o sistema gastrointestinal, dependendo do alergénio e da porta de entrada do alergénio no organismo.

Algumas alergias, chamadas alergias sazonais, são mais evidentes em determinadas alturas do ano em que determinados alergénios apresentam uma maior concentração no ar. No Outono, a próxima estação, os principais alergénios envolvidos são os pólens da erva-de-Santiago (Ambrosia), cuja libertação se inicia no final de agosto, mantendo-se nos meses de setembro e outubro e os esporos dos fungos, que pelo aumento da humidade característica do outono, prosperam, tal como os ácaros. Estes apesar de estarem presentes todo o ano dentro das habitações e edifícios, são agentes importantes das alergias de Outono.

Os sintomas e a gravidade dos mesmos vão depender de pessoa para pessoa, mas por norma são incomodativos e afetam a qualidade de vida. Os mais frequentes são a obstrução nasal, corrimento nasal aquoso, espirros, inflamação ocular, lacrimejo e prurido nasal, ocular, no céu da boca ou na região posterior da garganta.

Estes sintomas podem-se confundir frequentemente com os sintomas de uma constipação ou infeção vírica. A instalação dos sintomas nas constipações é mais progressivo e costuma resolver em 7 a 10 dias, enquanto nas alergias habitualmente surgem vários sintomas de uma só vez e mantém-se enquanto houver exposição ao alergénio.

A conjugação das queixas com a realização de testes cutâneos ou laboratoriais de alergias permite chegar ao diagnóstico. O teste cutâneo de alergias é um exame habitualmente realizado por uma pequena picada na pele, expondo possíveis alergénios ao sistema imunitário do individuo em teste. É um teste rápido e pouco doloroso. Desta forma o diagnóstico pode ser confirmado e identificado o alergénio em causa. As alergias podem estar implicadas em casos de rinite crónica, asma ou dermatite entre outras patologias, e o seu controlo pode determinar a evolução destas doenças.

O tratamento envolve a evicção ao alergénio, daí a necessidade de o identificar, e medicação para melhorar os sintomas resultantes. Anti-histamínicos sistémicos ou tópicos e/ou corticoterapia tópica são o tratamento mais habitual. No caso de asma alérgica poderá ser necessário terapêutica (inalada ou em comprimidos) para controlo dos sintomas respiratórios. Em determinados casos poder-se-á considerar imunoterapia. Neste tratamento o individuo é exposto a doses progressivamente maiores do alergénio, de forma a tentar modificar gradualmente a resposta do sistema imunitário.

Lidar com alergias pode ser desafiante. Independentemente da estação do ano, caso suspeite ter alergias é essencial falar com o seu médico para ser realizado o diagnóstico e a adequada abordagem terapêutica.

Ter as suas alergias controladas permite-lhe a si e à sua família poder aproveitar com qualidade desta bela estação do ano.

Filipa Lemos e Aguiar

Médica do Serviço de Pneumologia do Hospital de Braga

Beatriz Fernandes

Médica do Serviço de Pneumologia do Hospital de Braga