No século XIX, os médicos operavam os doentes de fato e gravata, sem a noção da transmissão de infeções. Até que um obstetra húngaro chamado Semmelweis, começou a lavar as mãos antes dos partos. Comparando com os seus colegas, a taxa de febre e de mortalidade nas puérperas baixou significativamente. 

Estava demonstrado que a higiene das mãos é a medida mais simples para prevenir a transmissão de microrganismos considerados patogénicos (que podem causar doenças). Esta transmissão faz-se de pessoa para pessoa, das pessoas para o ambiente (ex.: puxadores de portas, teclados, telemóveis, brinquedos, mobiliário, entre outros) e do ambiente para as pessoas.  

Frequentemente e inadvertidamente tocamos nos nossos olhos, no nariz e na boca, sem termos realizado a higiene das mãos, podendo desta forma ficar doentes. As mãos não higienizadas podem também contaminar alimentos durante a sua preparação ou consumo e os microrganismos podem multiplicar-se com facilidade, dependendo das condições de acondicionamento. 

A higiene das mãos ajuda a prevenir problemas como diarreias e infeções respiratórias e pode ainda ajudar a prevenir infeções da pele e dos olhos, como as conjuntivites. Apesar das evidências, esta é uma medida difícil de cumprir, ou por falta de condições estruturais (lavatórios por exemplo), ou por não consciencialização da sua elevada importância na prevenção de doenças, ou ainda por simples esquecimento. 

De acordo com a agência estatal americana responsável pela prevenção e controlo de doenças transmissíveis (Centers for Disease Control and Prevention – CDC), morrem anualmente cerca de 1,8 milhões de crianças com idade inferior a 5 anos, por doenças como diarreia e pneumonia, os dois motivos mais frequentes de mortes em crianças em todo o mundo.

É referido ainda que, apesar das pessoas lavarem as mãos com água, muito poucas usam sabão. A lavagem das mãos com sabão é mais efetiva na remoção de microrganismos do que quando realizada apenas com água. A educação das crianças em idade pré-escolar sobre a lavagem das mãos e o acesso a lavatórios e sabão nas escolas ajuda a implementar esta medida e a condicionar o seu comportamento para ações futuras neste sentido. 

Sendo este um problema à escala mundial, a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem desenvolvido, desde há alguns anos, iniciativas que visam a melhoria das condições de higiene nas populações e a promoção de cuidados de saúde mais seguros. 

Assim, no âmbito do seu Desafio “WHO Save Lives – Clean Care is Safer Care”, a OMS lança para este ano o mote: Cuidados Seguros para TODOS – Está nas Tuas Mãos. Com esta mensagem, esta Organização pede o envolvimento de toda a população na medida mais simples de salvar vidas, não limitando a responsabilidade apenas aos profissionais de saúde, mas aos utentes, aos cuidadores, aos pais, professores, alunos, crianças, em suma, ao cidadão em geral. 

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde é a entidade responsável por dinamizar este tema nas instituições de saúde e na comunidade, e através do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e das resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), tem vindo a desenvolver um conjunto de iniciativas, com o objetivo de incrementar a literacia em segurança da população portuguesa. 

O Dia Mundial da Higiene das mãos assinala-se em todo o mundo a 5 de maio, sendo este ano comemorado a nível nacional, no dia 3 de maio. Anualmente, o Hospital de Braga desenvolve várias iniciativas para assinalar esta data com o objetivo de sensibilizar e envolver profissionais, utentes e visitas. 

Seja um membro ativo nestas iniciativas nacionais e locais, seja responsável pela sua saúde! 

Isabel Veloso

Enfermeira Coordenadora do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos da ULS Braga