A propósito do Dia Mundial do Linfoma, que se assinala hoje (15 de setembro), importa dar a conhecer algumas informações sobre a doença, nomeadamente, o que é, quais os sintomas, diagnóstico e tratamento.
Os linfomas são doenças malignas resultantes da proliferação desordenada das células do sistema imunológico, os linfócitos B e T. São vários os subtipos de linfomas mas, para simplificar, apenas saliento os Linfomas de Hodgkin (nome do médico que primeiro os descreveu) e nos Linfomas não-Hodgkin. A incidência, isto é, o número de novos casos por ano, é atualmente, cerca de 20/100000 no mundo ocidental.
São conhecidas muitas das alterações genéticas que surgem nos linfócitos malignos que explicam a sua proliferação desordenada. Continua, no entanto, desconhecido o motivo pelo qual aparecem. Não são também claros os motivos pelos quais o nosso sistema imunológico de defesa interno não consegue combater e destruir estas células.
Os linfócitos normais circulam habitualmente pelos sistemas linfático e sanguíneo, e aglomeram-se por vezes formando órgãos linfoides como os gânglios ou o baço ou formando tecido linfoide em órgãos não linfoides como as amígdalas, por exemplo. Desta forma, o crescimento maligno daquelas células provoca o aumento dos gânglios linfáticos, do baço e podem invadir órgãos não linfóides ou, ainda, manifestar-se através de alterações sanguíneas, incluindo a leucemia.
Os doentes notam, frequentemente, o aparecimento de tumefações ou nódulos nas regiões cervical, axilas ou virilhas, que correspondem aos gânglios aumentados. Estes sinais podem ser precedidos de sintomas gerais como fraqueza, perda de apetite, emagrecimento e febre, que são inespecíficos e não permitem o diagnóstico precoce.
O diagnóstico correto apenas se consegue com a biopsia (retirar um fragmento de tecido tumoral) do gânglio ou de um tumor extraganglionar para análise anatomo-patológica pelos médicos especialistas nessa área.
O tratamento dos linfomas passa, sobretudo, pela quimioterapia, radioterapia, terapêuticas imunológicas com anticorpos (substâncias habitualmente produzidas pelo sistema imunológico que atacam alvos nas células malignas) e, ainda, quimioterapia de alta dose com suporte de células estaminais (células-mãe das células sanguíneas), que podem ser do próprio doente ou proveniente de um dador compatível.
O Linfoma não-Hodgkin, uma doença relativamente rara, é o cancro que mais tem crescido em todo o mundo (cerca de 4% ao ano) tendo duplicado a sua incidência nos últimos 25 anos. Por outro lado, e apesar do aumento da incidência, a mortalidade tem estado estável ou até diminuído, devido à nossa capacidade de tratar e curar esta doença. A título de exemplo, um estudo realizado nos países nórdicos, mostra que a taxa de sobrevivência aos 5 anos passou de 30% em 1970 para cerca de 60% em 2000.
No caso do Linfoma de Hodgkin, a sua incidência tem estado estável enquanto a taxa de sobrevivência cresceu incrivelmente com o desenvolvimento da quimioterapia anticancerígena e da radioterapia; aquela passou de 25% aos 5 anos na década de 60 para 75% na década de 90. O tratamento do Linfoma de Hodgkin dos jovens constitui um dos maiores sucessos da oncologia e da história da medicina.
Termino deixando a noção de que, no seu conjunto, os tratamentos oncológicos têm efeitos secundários frequentes que afetam o bem-estar da pessoa, requerendo uma boa colaboração dos doentes e familiares com os profissionais de saúde para a obtenção do sucesso terapêutico.