A doença hemorroidária é muito frequente na população adulta, com uma prevalência que pode atingir os 85%. Estima-se que 50% da população, com mais de 50 anos, apresente pelo menos um episodio de “crise hemorroidária” durante a sua vida e que destes entre 10 a 20% venham a necessitar de tratamento cirúrgico.
O que são “hemorroidas”?
As hemorroidas são veias normais existentes no canal anal e que não causam sintomas. Quando surgem queixas, o que geralmente ouvimos dizer como “sofro das hemorroidas”, falamos de doença hemorroidária.
Que queixas dão?
As principais queixas são: dor anal, hemorragia, prurido (“comichão”) e a exteriorização das hemorroidas.
A dor anal, geralmente surge num contexto de trombose hemorroidária, quando se forma um trombo no interior da hemorroida. A dor é intensa e responsável pelo recurso, muitas vezes, ao serviço de urgência.
A hemorragia, manifesta-se sob a forma de perda de sangue vermelho “vivo”, que se pode ou não associar à evacuação e que “pinga” na sanita ou é percebia no papel higiénico, aquando da higiene anal.
A exteriorização das hemorroides é sentida pelo paciente como uma “massa” que exterioriza com o esforço evacuatório, podendo depois reduzir espontaneamente ou não. No seu extremo estão permanentemente exteriorizadas através do ânus.
O prurido anal resulta da humidade na região perianal quer pela emissão de muco quer pela presença de hemorroides exteriorizadas.
Quais são as causas da doença hemorroidária?
A condição médica mais frequentemente associada é a obstipação, que geralmente resulta de uma dieta pobre em fibras. O esforço evacuatório assim como o passar muito tempo sentado na sanita, estão associados ao desenvolvimento da doença hemorroidária.
Outras condições como a obesidade, gravidez, cirrose hepática e a diarreia crónica são também causas frequentes.
Os fatores hereditários são também importantes, não sendo raro o paciente referir que o pai ou outro familiar “sofrem de hemorroidas”.
Como se diagnostica a doença hemorroidária?
O diagnóstico deve ser suspeitado pela presença dos sintomas acima mencionados, confirmado depois por uma anuscopia. Em pacientes com mais de 50 anos ou com história familiar de cancro colorectal, deve ser sempre excluída a presença de um cancro do intestino através da realização de uma colonoscopia.
Como se trata a doença hemorroidária?
O tratamento da doença hemorroidária apresenta três componentes, todos importantes para a resolução do problema.
Medidas higieno-dietéticas, que vão contribuir para a regularização do transito intestinal, nomeadamente: ingestão de uma dieta rica em fibras, com verduras, legumes, frutas. A ingestão de água ou chá, 1.5 a 2l/dia. Praticar atividade física, evitando o sedentarismo. O paciente deve “educar” o seu intestino para a evacuação, que não precisa de ser diária, mas que deve ser realizada sem esforço.
Medicamentos; geralmente, nos episódios de “crise hemorroidária”, os analgésicos e a diosmina são medicamentos prescritos par aliviar os sintomas.
Tratamento instrumental/cirúrgico; está indicado nas situações que não resolveram com as medidas anteriores. Estas opções vão desde técnicas de terapêutica instrumental, como a laqueação hemorroidária, até técnicas cirúrgicas de remoção ou “fixação” das hemorroides.
Posso “voltar a ter hemorroidas” depois da cirurgia?
Sim. A probabilidade de recorrência das “hemorroidas” após tratamento cirúrgico é variável, consoante a técnica cirúrgica. Essencial para reduzir este risco é o otimizar do transito intestinal com as medidas já referidas anteriormente.