Com a chegada do calor, é natural que as piscinas se tornem o centro das atenções. No
entanto, para as crianças, estes espaços podem representar um risco significativo, por
vezes subestimado por pais e cuidadores.
O afogamento é uma das principais causas de morte acidental em crianças, especialmente
nos primeiros quatro anos de vida. Acontece em segundos, de forma silenciosa, e pode
passar despercebido mesmo num ambiente rodeado de adultos.
A prevenção é o elemento-chave para evitar mortes por afogamento, e há várias medidas
que devem ser adotadas. A supervisão constante é a mais importante: os adultos devem
evitar distrações como ler, utilizar o telemóvel, consumir álcool ou outras substâncias.
Uma medida essencial é a instalação de uma vedação com, pelo menos, 1,20 metros de
altura e um espaçamento máximo de 10 centímetros, no caso de serem utilizadas grades. A
vedação deve rodear totalmente a piscina. Existem também, atualmente, alarmes que
podem ser instalados na piscina e que alertam em caso de queda na água.
As crianças que já frequentaram aulas de natação têm menor risco de afogamento. Muitas
destas aulas estão disponíveis entre os 6 e os 12 meses de idade.
Os equipamentos de resgate e os coletes salva-vidas devem estar sempre acessíveis, junto
à piscina. Para crianças com menos de quatro anos, é indispensável o uso de um colete
salva-vidas adequado, mesmo que já saibam algumas técnicas de natação. Deve evitar-se
o uso de boias insufláveis ou outros dispositivos de flutuação, como “braçadeiras”, pois não
substituem coletes salva-vidas certificados e podem transmitir uma falsa sensação de
segurança. Além disso, todos os brinquedos devem ser retirados da piscina quando não
estiver a ser usada, para evitar que atraiam as crianças.
É igualmente importante ensinar as crianças a não introduzirem dedos, braços, pernas ou
mesmo o cabelo nos orifícios de sucção da piscina, pois existe o risco de ficarem presos de
forma acidental. Por isso, estes sistemas de sucção devem estar sempre protegidos com
tampas anti-sucção. Assim como os ralos, os bocais localizados nas laterais da piscina
devem também estar cobertos com tampas de proteção adequadas. Idealmente, a piscina
deve ter mais do que um ralo, de forma a distribuir e diminuir a força de sucção.
No caso das piscinas insufláveis colocadas acima do solo, devem também ser adotadas as
mesmas medidas de segurança, uma vez que as crianças podem cair à água ao se
encostarem à lateral da piscina. Idealmente, estas piscinas devem ser esvaziadas e
guardadas após a sua utilização.
Por fim, é essencial que os adultos saibam como reagir em caso de emergência. Ter noções
básicas de primeiros socorros e saber realizar manobras de reanimação cardiopulmonar
pode salvar vidas enquanto se aguarda ajuda profissional.
Em suma, as piscinas são uma fonte de prazer e descontração, mas nunca de descuido.
Um olhar atento, medidas de segurança adequadas e informação são os melhores aliados
da segurança. Afinal, prevenir continua a ser o melhor remédio

Mário Ribeiro
Médico da ULS Braga

