No dia 25 de maio celebrou-se o Dia Mundial da Tiroide, uma glândula em forma de borboleta situada na região inferior do pescoço. Esta glândula produz hormonas, a T3 e a T4, que são libertadas no sangue e atuam noutros órgãos, sendo essenciais para o normal funcionamento do organismo.

As doenças da tiroide são muito frequentes, afetam mais mulheres que homens e constituem um dos principais motivos de consulta de Endocrinologia. De uma forma simplista, as doenças da tiroide podem agrupar-se naquelas em que há alteração do funcionamento da tiroide (alteração de T3 e T4) ou alterações da sua estrutura.

Relativamente à alteração da função, podemos ter situações em que há excesso (hipertiroidismo) ou défice (hipotiroidismo) de hormonas tiroideias em circulação. Para entendermos melhor os sintomas a que se associam, pensemos nas hormonas da tiroide como reguladoras da velocidade com que as células trabalham.

Assim, no hipertiroidismo, tipicamente o doente apresenta irritabilidade, ansiedade, insónias, aumento da frequência cardíaca, tremores, perda de peso (apesar de aumento do apetite), transpiração excessiva, intolerância ao calor e diarreia. Já no hipotiroidismo é frequente o cansaço, dificuldade de concentração e/ou memorização, depressão, sonolência, aumento do peso, intolerância ao frio e obstipação.

As causas mais frequentes de hipertiroidismo são a Doença de Graves, uma doença autoimune geralmente associada a bócio difuso (aumento do tamanho da tiroide), em que o(s) nódulo(s) tóxico(s) são responsáveis por essa produção hormonal excessiva. Já no hipotiroidismo, as principais causas são a remoção cirúrgica da tiroide, doenças inflamatórias ou autoimunes da tiroide (tiroidites) e tratamento com iodo radioactivo. É importante também referir que alguns medicamentos e suplementos vitamínicos podem interferir na função da tiroide.

Nas alterações da estrutura da tiroide, destacam-se os nódulos. Os nódulos da tiroide são extremamente frequentes e, na maioria dos casos, não têm implicações na saúde.

Todavia, há 3 questões que devem ser clarificadas:

  • O nódulo é benigno ou maligno?
  • O nódulo produz hormonas em excesso?
  • O nódulo é grande a ponto de empurrar estruturas adjacentes?

De acordo com elementos da história clínica (por exemplo história familiar de cancro da tiroide e antecedentes de exposição a radiação), características do nódulo ao exame físico (quando o médico palpa o pescoço) e características na ecografia, irá avaliar-se a necessidade de biópsia.

Na grande maioria dos casos, os nódulos da tiroide são benignos. Os casos malignos, raros e quase sempre de bom prognóstico, serão orientados para cirurgia, podendo ser necessários outros tratamentos. Se o nódulo produzir hormonas a mais teremos uma situação de hipertiroidismo com os sintomas já mencionados. Por outro lado, se o nódulo for muito grande pode causar rouquidão, dificuldade em engolir ou respirar. Nestes casos, habitualmente o doente é orientado para cirurgia.

Por fim, uma palavra para a gravidez. Alterações na função tiroideia podem causar complicações na gravidez. Grávidas com doença da tiroide devem ser seguidas em Consulta de Endocrinologia, pois necessitam de uma monitorização apertada. Adicionalmente, muitas alterações das análises são fisiológicas (próprias da gravidez) e requerem uma correta interpretação.

Assim, as diferentes doenças da tiroide exigem avaliação médica cuidada, para orientação terapêutica adequada e atempada.

Vera Fernandes

Médica interna do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Braga